Baleias-jubarte aparecem em número incomum no litoral do Rio de Janeiro em 2026, entram na Baía de Guanabara e passam por Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado, enquanto pesquisadores registram o nascimento de três filhotes na região
Depois de décadas concentradas principalmente no Banco de Abrolhos, na Bahia, as baleias-jubarte passaram a aparecer com mais frequência na Baía de Guanabara e nas praias da Zona Sul do Rio. Pesquisadores associam o movimento à recuperação da espécie no Atlântico Sul.
Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) em salto, a mesma espécie que passou a aparecer em maior número no litoral do Rio de Janeiro em 2026; registro feito no Alasca. Foto: Gregory "Slobirdr" Smith/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Entre abril e setembro de 2026, baleias-jubarte foram avistadas com frequência incomum ao longo do litoral do Rio de Janeiro, entrando na Baía de Guanabara e passando perto das praias de Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado, segundo reportagem do Brasil em Folhas.
A movimentação amplia o que já se sabia sobre a espécie no Brasil. Até aqui, o principal ponto de reprodução era o Banco de Abrolhos, na Bahia, maior concentração de jubartes do Atlântico Sul, destino da temporada que atrai a espécie de junho a novembro.
Sim, é um número de jubartes fora do padrão para o litoral do Rio. Segundo o Projeto Baleia Jubarte, a espécie apareceu com mais frequência e mais perto da costa entre abril e setembro de 2026, na Baía de Guanabara e nas praias da Zona Sul, com nascimento de três filhotes na região.
A temporada de baleias-jubarte de 2026 trouxe um número incomum de animais ao litoral do Rio de Janeiro, fora do padrão histórico, com jubartes entrando na Baía de Guanabara e passando por Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado, além do nascimento de três filhotes na região, segundo o Projeto Baleia Jubarte e a UERJ
Historicamente, a passagem das jubartes pelo Rio de Janeiro acontecia mais longe da costa, no trajeto entre a Antártida e o Nordeste. Em 2026, porém, grupos da espécie entraram na própria Baía de Guanabara, área urbana cercada pela capital fluminense e por Niterói.
Nas baías internas de Flamengo e Botafogo, dentro da Guanabara, as baleias permaneceram por três semanas em julho, tempo suficiente para virar rotina de quem mora ou trabalha na orla, segundo o Projeto Baleia Jubarte.
Avistamentos em Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado
Fora da baía, as jubartes também foram vistas nadando perto de praias com grande movimento de banhistas, caso de Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado, na Zona Sul do Rio.
Esse tipo de aproximação chama atenção porque essas praias ficam entre as mais frequentadas do país, bem diferente do litoral mais isolado de Abrolhos. Outros bichos marinhos também têm aparecido perto da faixa de areia, caso dos golfinhos flagrados por drone perto da Praia de Gaibu, em Pernambuco.
Por que as baleias estão se aproximando mais da costa do Rio?
Pedro Fróes, coordenador de Educação Ambiental do Projeto Baleia Jubarte na base do Rio de Janeiro, confirmou o número incomum de animais próximos da costa nesta temporada, fora do padrão observado em anos anteriores.
Para Rafael Carvalho, pesquisador do Maqua/UERJ, o aumento é lido como sinal de recuperação da população depois de décadas de proteção contra a caça. Já Ricardo Gomes, do Instituto Mar Urbano, associa a presença prolongada nas baías internas a uma possível melhora ambiental na região.
Três filhotes nasceram no litoral fluminense nesta temporada
Nesta temporada, nasceram três filhotes de jubarte na região do Rio de Janeiro, incluindo um animal registrado com apenas dois dias de vida, segundo o Projeto Baleia Jubarte.
O nascimento de filhotes fora de Abrolhos reforça que o litoral do Rio deixou de ser apenas rota de passagem e passou a funcionar, em menor escala, como área de cria da espécie.
O filhote de dois dias visto em Arraial do Cabo
Um dos registros da temporada aconteceu às 8h do dia 2 de julho, quando o biólogo Felipe Peixoto fotografou uma fêmea de jubarte com o filhote dentro do Parque Estadual da Costa do Sol, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.
A unidade de conservação é administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e a fêmea já vinha sendo acompanhada pelo Grupo de Ciência Cidadã Avistamento de Cetáceos (RJ), que monitora a migração da espécie pela costa fluminense, segundo o Diário do Rio.
O papel da ciência cidadã nos registros de baleias no Rio
Parte dos avistamentos de 2026 partiu de moradores e de grupos de observação voluntária, caso do Grupo de Ciência Cidadã Avistamento de Cetáceos (RJ), que acompanha a passagem das jubartes pela costa fluminense ano a ano.
Esse tipo de registro, feito da praia ou de barcos de pesca, ajuda pesquisadores a mapear onde e quando os animais aparecem, mesmo sem um censo formal fechado a cada temporada.
A baleia franca austral também voltou a aparecer na Zona Sul
Além das jubartes, a temporada de 2026 teve mais avistamentos de baleia franca austral em praias da Zona Sul do Rio, espécie diferente que também passa pelo litoral brasileiro na época mais fria do ano.
O aumento nos registros das duas espécies é lido pelos pesquisadores como parte do mesmo movimento de recuperação, próximo do que já apareceu no caso do pescador peruano que resgatou uma baleia presa em rede de pesca.
Os números de 2026 ainda não têm um censo fechado
Nem o Projeto Baleia Jubarte nem o Maqua/UERJ divulgaram uma contagem oficial de quantas jubartes passaram pelo litoral do Rio nesta temporada. O que existe, por ora, é a percepção de pesquisadores de que o número ficou fora do padrão.
Também não dá para separar, com os dados disponíveis, quanto do aumento é baleia de fato nova na região e quanto é mais gente registrando o que já acontecia, com celular à mão e grupos de observação cada vez mais ativos.
O que vem a seguir para as jubartes no litoral do Rio
A tendência é que as jubartes avistadas no Rio sigam o mesmo calendário do restante da costa brasileira, voltando para as águas da Antártida ao longo da primavera, conforme os filhotes ganham força para a viagem.
Enquanto isso, moradores e grupos de observação continuam de olho na Baía de Guanabara e nas praias da Zona Sul. Você já viu uma baleia no litoral do Rio de Janeiro? Conte para a gente nos comentários.



