Queimadas na Nova Guiné batem recorde no lado leste; poluição fechou escolas e atrasou voos
As queimadas na Nova Guiné, a segunda maior ilha do mundo, atingem níveis fora do comum. Segundo a NASA, as emissões dos dois lados da ilha estão anormalmente altas, e a fumaça cobriu grandes áreas por semanas em setembro e outubro de 2026.
Imagem: Divulgação/NASA. Origem: science.nasa.gov.
Para quem vive na região, a situação já afeta a rotina. Segundo a NASA, a poluição do ar atrasou e cancelou voos, fechou escolas e levou autoridades de algumas áreas a pedir que crianças e idosos usem máscara. Robert Field, pesquisador associado do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA e da Universidade Columbia, resumiu sem rodeios: "É uma situação horrível."
E o que muda para você, que está longe? O efeito direto é menor, mas a fumaça e o carbono liberados entram na atmosfera que todos compartilhamos. Por isso o caso interessa além da ilha.
Por que as queimadas na Nova Guiné dependem da seca
O gatilho foi a seca. Um El Niño forte mudou os padrões de chuva e deixou a vegetação da ilha pronta para queimar. No extremo sul do lado leste, região de savanas e pastagens, a chuva faltou por mais de 90 dias seguidos, segundo o Serviço Meteorológico Nacional de Papua-Nova Guiné. Desde agosto, parte da área recebeu cerca de 5% a 10% da chuva normal.
Mas a seca não acende o fogo sozinha. Segundo os pesquisadores, as pessoas provocam a grande maioria dos incêndios. Queimadas para plantio, manutenção de pastagens, desmatamento, limpeza de terreno e caça estão entre os motivos mais comuns. Em tempo seco, uma queima controlada pode escapar e virar incêndio, sobretudo nas áreas mais secas do sul.
Os efeitos já aparecem no campo. Segundo veículos de notícias locais, há quebra de safras, falta de água e interrupção das aulas.
Os números por lado da ilha
A NASA usa dados do Global Fire Emissions Database (GFED), um sistema de monitoramento de emissões de incêndios baseado em satélites. No lado leste, que forma o país Papua-Nova Guiné, as queimadas liberaram quase 32 megatoneladas de carbono até 19 de outubro. É mais do que em qualquer outro ano registrado até essa data.
Guido van der Werf, pesquisador de incêndios da Universidade de Wageningen e responsável pelo desenvolvimento do GFED, afirma que as emissões já estão bem acima do total de 2015. Para ele, é muito provável que 2026 se torne o ano recorde do país, superando 1997.
No lado indonésio, conhecido como Papua Ocidental, as emissões passaram de 35 megatoneladas de carbono. É o terceiro maior valor da série, atrás apenas de 2015 e 1997, outros anos de El Niño com incêndios graves.
O desmatamento pesa no cenário. Segundo o Global Forest Watch, a região perdeu 27 mil hectares de floresta primária em 2025, quase o dobro de 2024 e o maior volume desde 2017. Nas últimas duas décadas, áreas da Papua indonésia foram abertas para plantações de dendê e de madeira para celulose, além de expansão urbana e mineração.
Já Sumatra registra fogo relativamente baixo para um ano de seca, em parte porque muitas áreas já são ocupadas.
O que se sabe e o que ainda não se sabe
- O que se sabe: a seca ligada ao El Niño deixou a ilha pronta para queimar; a maior parte dos focos tem origem humana; a poluição já atrasou voos e fechou escolas.
- Quando deve acabar: os pesquisadores esperam que os incêndios sigam até as chuvas da estação úmida, que costumam chegar ao sul da ilha no início de novembro.
- O que ainda não se sabe: se o recorde de emissões do lado leste vai se confirmar como o maior da série, já que isso depende do que acontecer até o fim da temporada.
Enquanto a chuva não chega, a fumaça segue como o problema mais imediato para quem mora na ilha.
Fonte: science.nasa.gov.
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