Animais e natureza

Achou óleo na praia ou um animal sujo de petróleo? O Ibama recebe o aviso de qualquer pessoa por e-mail, pede para não tocar no bicho nem devolvê-lo ao mar e proíbe jogar o resíduo no lixo comum

Em 2019, manchas de petróleo de origem desconhecida atingiram cerca de 1.000 quilômetros do litoral brasileiro. O Ibama mantém até hoje as orientações daquela emergência. Reunimos o canal de aviso, o que mandar, os cuidados com a pele e com os animais e um contato de resgate em cada estado.

Mancha de óleo na praia de areia clara no litoral sul de Sergipe, com dunas ao fundo, em outubro de 2019

Óleo na Área de Proteção Ambiental do Litoral Sul de Sergipe, em 9 de outubro de 2019. Foto: Acvascon, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Ao ver óleo na praia, avise o Ibama pelo e-mail [email protected] e peça confirmação de recebimento. Não toque no óleo sem proteção. Se houver animal sujo de petróleo, não mexa nele nem o devolva ao mar. O serviço do governo federal é gratuito e aberto a qualquer pessoa.

O canal de aviso do Ibama

O e-mail é do Centro Nacional de Emergências Ambientais e Climáticas, que também atende no telefone (61) 3316-1070. Qualquer pessoa pode avisar. Para empresas licenciadas pelo Ibama, a comunicação imediata é obrigatória, pela Instrução Normativa 15, de 2014.

O que escrever no e-mail

O Ibama pede, no mínimo: local, município e estado, com coordenadas; data e hora; tipo de produto e quantidade estimada; descrição do que aconteceu; ambientes atingidos; seu nome e telefone. Fotos e mapa são opcionais, mas ajudam.

Coordenadas saem do aplicativo de mapas do celular, segurando o dedo sobre o ponto.

Por que não pegar o óleo na praia com a mão

Segundo o Ibama, o contato com o petróleo cru pode causar irritação na pele e nos olhos. A norma técnica NBR 10004 classifica esse resíduo como perigoso, de Classe I.

O óleo de 2019 era pesado e muito viscoso. O Ibama previa baixa toxicidade para a vida marinha, mas risco de sufocar os organismos que entrassem em contato direto com ele.

Onde guardar o que foi recolhido

Sacos com óleo recolhido por voluntários enfileirados na areia de uma praia de Alagoas em 2019
Óleo recolhido em sacos no litoral de Alagoas, em outubro de 2019. O Ibama diz que esse resíduo não pode ir para o lixo comum. Foto: Marcos Brandão/Senado Federal, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

O resíduo oleoso não pode ir para o lixo comum. Baldes, sacos plásticos, bombonas e tambores resistentes servem para guardar o material até a destinação final, que o Ibama e o órgão estadual definem: aterro de resíduo perigoso ou queima em forno de cimenteira.

Banho de mar com mancha à vista

O Ibama manda consultar a prefeitura ou o órgão ambiental do estado sobre a balneabilidade. A Resolução Conama 274, de 2000, considera imprópria a água com resíduos, óleos e graxas capazes de oferecer risco à saúde.

Animal sujo de óleo: o passo a passo

Acione na hora a unidade do Ibama ou o grupo de resgate mais próximo. Informe quantidade e tipo de animal, se está vivo ou morto, se há óleo na pele, boca, olhos e narinas, e o local exato. Se der, mande fotos ou vídeo pelo WhatsApp.

Enquanto a equipe não chega, afaste pessoas e cachorros, evite barulho e faça sombra com guarda-sol, folhas de coqueiro ou pano limpo.

O que nunca fazer com o bicho

Não toque nem manipule o animal. Não o devolva ao mar: ele está fraco e, sem tratamento, vai encalhar em outro ponto. Não jogue sabão, areia ou outro produto. Não ofereça comida nem force água.

O manejo é só para as equipes de monitoramento de praia e os órgãos ambientais. Os centros de despetrolização de fauna ficam em Sergipe e no Rio Grande do Norte. Na época de desova das tartarugas, a atenção é maior.

Quem resgata em cada estado

EstadoUm dos contatos da lista do Ibama
AlagoasIbama/AL: (82) 2122-8329
BahiaInstituto Mamíferos Aquáticos: (71) 99679-2383
CearáAquasis: (85) 99980-0109
Espírito SantoCTA: 0800 039 5005
MaranhãoInstituto Amares: (98) 98120-1281
ParaíbaIbama/PB: (83) 3245-4901
PiauíInstituto Tartarugas do Delta: (86) 99975-5380
PernambucoIbama/PE: (81) 3201-3800
Rio Grande do NorteProjeto Cetáceos da Costa Branca: (84) 99937-0471
SergipePrograma de Monitoramento de Praias (PRMEA): 0800 079 3434

Primeiro contato de cada estado na lista de resgate de fauna oleada da página de perguntas do Ibama, atualizada em 17/04/2026. A lista completa tem outros grupos por estado.

O tamanho da mancha de 2019

Gráfico das localidades atingidas por óleo em cada estado do Nordeste até novembro de 2019, com a Bahia na frente
Retrato de 1º de novembro de 2019, 63 dias depois das primeiras manchas. O óleo ainda chegaria a outros pontos nos meses seguintes. Arte: Watts & Wild, com a planilha do Ibama.

As primeiras manchas surgiram na Paraíba em 30 de agosto de 2019. Na planilha do Ibama de 1º de novembro, já eram 296 localidades em 105 municípios dos nove estados do Nordeste. A Bahia somava 85, e o Rio Grande do Norte, 51.

Depois, o óleo chegou ao Espírito Santo e ao Rio de Janeiro. A limpeza foi feita sobretudo à mão. O relatório do Ibama diz que não foi possível identificar o poluidor, a fonte nem o volume vazado.

O que esta lista não resolve

Os telefones de resgate vêm de uma lista criada para a emergência de 2019; o Ibama atualizou a página em abril de 2026, mas um número pode ter mudado. Na dúvida, o e-mail do Ibama segue como canal único. Outros perigos da areia, como a caravela-portuguesa, pedem outros cuidados.

Encalhe de golfinho ou baleia sem óleo, como o de Gaibu, segue o mesmo princípio: não empurrar de volta e chamar quem sabe.

Fontes: gov.br, Comunicar acidente ambiental; Ibama, perguntas frequentes sobre manchas de óleo; Ibama, informações úteis; Ibama, cartilha de desmobilização (PDF); Ibama, Lições aprendidas 2019/2020 (PDF); Ibama, localidades atingidas em 01/11/2019 (planilha). Gráfico e tabela: Watts & Wild.

Espaço de anúncio

Mais do Watts & Wild

Mais em Animais e natureza →

A natureza do Brasil, uma vez por dia

Sem spam. Só o que viralizou no Brasil, checado e explicado, direto no seu e-mail.