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A mesma cobra parece mais ameaçadora e mais nojenta quando aparece numa paisagem urbana do que na natureza, mostra estudo com 500 adultos, mas a vontade de chegar perto do bicho continua igual nos dois casos

Pesquisadores mostraram fotos de cobras a 500 adultos, umas num cenário urbano, outras na natureza. O bicho era o mesmo, só mudava o fundo. Na cidade, ele pareceu mais perigoso e mais repulsivo, como se estivesse fora do lugar, e isso pesou mais do que o jeito de cada pessoa.

Cobra listrada de verde e amarelo deitada sobre uma calçada de concreto com pedrinhas, cena de cobras na cidade

Cobra-liga se aquecendo numa calçada, em abril de 2026. A foto não faz parte do estudo. Foto: Christopher M. Reed, Wikimedia Commons, domínio público (CC0), recortada.

As mesmas cobras pareceram mais ameaçadoras, mais nojentas e menos simpáticas quando mostradas em ambiente urbano do que na natureza. A conclusão é de um estudo publicado em 30 de setembro na Royal Society Open Science, com 500 adultos.

Bicho fora do lugar

A ideia de partida é simples. A cidade costuma ser vista como território humano, e por isso o bicho selvagem que aparece nela parece estar fora do lugar. Segundo os autores, isso pode gerar reações emocionais mais fortes do que encontrar o mesmo animal no mato.

Como o teste foi feito

Uma amostra representativa de 500 adultos avaliou fotos de cobras em cenários urbanos e naturais em cinco quesitos: sentimento positivo, sentimento negativo, nojo, ameaça e vontade de se aproximar.

Os pesquisadores também mediram a ligação de cada pessoa com a natureza, a tendência a sentir nojo e o medo de cobras, descontando sintomas de ansiedade e depressão.

O que mudou com o cenário

Como as pessoas avaliaram a mesma cobraNa foto urbana, comparada à foto na natureza
Sentimento positivoMenor
Sentimento negativoMaior
NojoMaior
Sensação de ameaçaMaior
Vontade de se aproximarSem mudança

Zsidó e outros, Royal Society Open Science, 30/9/2026, com 500 adultos.

A vontade de chegar perto não mudou

Mesmo achando a cobra urbana mais assustadora, as pessoas não mudaram a intenção de se aproximar ou não dela. Para os autores, isso mostra que o contexto mexe forte com a emoção, mesmo quando a decisão prática fica igual.

Na natureza, pesa o jeito de cada um

Cobra-de-água-de-colar enrolada sobre folhas e musgo à beira de um lago, com a cabeça erguida
Cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) à beira de um lago em Storkow, na Alemanha, em julho de 2017. Foto: Andreas Eichler, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

Nas fotos de mata, as notas dependeram mais da personalidade. Quem se sente mais ligado à natureza avaliou as cobras melhor, e quem sente mais nojo ou mais medo de cobra deu notas piores.

Na cidade, o cenário fala mais alto

No ambiente urbano, essas diferenças pessoais quase sumiram. Os autores interpretam que sinais fortes do contexto conseguem passar por cima das características de cada pessoa. Ou seja, a cobra na calçada assusta até quem costuma gostar de bicho.

Cobra-liga listrada de preto e amarelo enrolada no asfalto de uma calçada, com a cabeça erguida e a sombra no chão
Cobra-liga na calçada de uma rua de bairro em Oak Hill, na Virgínia (EUA), em setembro de 2020. A foto não faz parte do estudo. Foto: Famartin, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, reduzida.

Quem fez a pesquisa

O estudo é de András N. Zsidó, Orsolya Inhóf e Botond László Kiss, da Universidade de Pécs, na Hungria, e de Sam S. S. Lau, da Universidade Batista de Hong Kong.

O que fazer com as cobras da cidade

Os autores sugerem tratar a presença de fauna nas cidades como algo normal, dar informação clara para separar o encontro do dia a dia do risco real e planejar espaços urbanos que reduzam a sensação de invasão.

No Brasil, essa informação clara inclui saber o que fazer quando aparece cobra em casa, conhecer onde há mais acidentes com cobra e lembrar de casos como o da cobra na trilha das Cataratas.

Os limites do teste

As pessoas avaliaram fotos, e não cobras de verdade. A reação diante de um animal vivo, na rua ou no quintal, pode ser diferente. O resumo publicado também deixa de fora quais espécies e cenários foram mostrados e de que país é a amostra.

Fontes: Zsidó, Inhóf, Lau e Kiss, Snakes are perceived as more threatening and disgusting in urban compared to natural environments, Royal Society Open Science, 2026, doi:10.1098/rsos.260765.

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