Quais áreas podem acumular mais de 200 mm de chuva até segunda-feira? O INMET aponta o Paraná, e uma chuva de 200 mm em quatro dias passa da média de outubro inteiro em Curitiba, Juiz de Fora e Campo Grande
Duzentos milímetros parecem número de tabela, mas querem dizer 200 litros em cada metro quadrado. O INMET afirma que o Paraná pode passar disso até o fim de segunda (5), e o mapa dele mostra outra mancha forte no Sudeste. A conta abaixo põe esse volume ao lado de um outubro inteiro.
Pluviômetro de acrílico em Jijoca de Jericoacoara (CE), em abril de 2008. Foto de arquivo, não é do Paraná nem do fim de semana. Foto: Claudio Oliveira Lim…, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0, recortada.
A chuva pode superar 200 mm no Paraná até o fim de segunda-feira (5), segundo o INMET. O instituto cita ainda grandes acumulados no sudeste de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no sul do Espírito Santo, mas só dá o número de 200 mm para o Paraná, na previsão de sexta (2).
O que o mapa de acumulados do INMET mostra
A previsão saiu na sexta (2), às 13h47, e foi atualizada às 15h27. A Figura 5 mostra a chuva somada da sexta até o fim da segunda e destaca duas áreas: uma sobre o sudeste de Minas, o Rio e o sul do Espírito Santo, outra sobre o Paraná.
Há acumulados elevados também em Mato Grosso do Sul e em áreas de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Bahia, com a chuva chegando ao Matopiba. No Norte, o destaque é o centro, o oeste e o noroeste do Amazonas. Pará, Roraima, Amapá e o Nordeste ficam mais secos.
Quanto é 200 mm em litros
Um milímetro de chuva é um litro de água em cada metro quadrado. Portanto, 200 mm são 200 litros por metro quadrado. Num telhado de 100 metros quadrados, 200 mm equivalem a 20 mil litros, o volume de 20 caixas d'água de mil litros, se toda a água fosse captada.
O que pesa é a rapidez com que a água chega. Quando o chão já está encharcado e o rio já está cheio, a água não tem para onde ir. Para entender a diferença entre os três tipos de água na rua, vale ler como enxurrada, inundação e alagamento se distinguem.
Uma chuva de 200 mm perto da chuva de um outubro inteiro
Para medir o tamanho do número, a conta usa as Normais Climatológicas do INMET, tabela com a média de chuva de cada mês em estações do país, na série de 1961 a 1990 que o instituto publica na página de normais. É uma série antiga, e o clima de hoje pode se afastar dela.
O resultado é uma régua curiosa. Em Curitiba, 200 mm são 150% da chuva normal de outubro inteiro, que é de 133,3 mm. No Rio de Janeiro, onde outubro normal rende só 86,5 mm, a mesma chuva passa de duas vezes o mês.
| Cidade com normal do INMET | Chuva normal de outubro (mm) | 200 mm equivalem a |
|---|---|---|
| Rio de Janeiro (RJ) | 86,5 | 231% |
| Curitiba (PR) | 133,3 | 150% |
| Campo Grande (MS) | 147,9 | 135% |
| Juiz de Fora (MG) | 155,2 | 129% |
| Londrina (PR) | 177,1 | 113% |
| Foz do Iguaçu (PR) | 219,8 | 91% |
Dados: Normais Climatológicas do Brasil 1961-1990, INMET. A coluna da direita é 200 mm dividido pela normal do mês. É uma conta de comparação, não uma previsão para a cidade.
Em Foz do Iguaçu, na região do aviso vermelho de domingo, a normal de outubro é a maior da lista, 219,8 mm. Ali, 200 mm em quatro dias seriam 91% do mês de uma vez.
Por que o Sudeste entra na conta desde sábado
No sábado (3), o INMET pôs aviso vermelho de grande perigo para grandes acumulados no sudeste de Minas, na região de Juiz de Fora, e no oeste e noroeste do Rio. O laranja valeu para o noroeste, norte e leste de São Paulo, o Triângulo Mineiro e o centro e sul do Espírito Santo.
Em Juiz de Fora, 200 mm seriam 129% da normal de outubro (155,2 mm). Como o INMET fala em acumulados grandes no Sudeste sem cravar o número, é só um termo de comparação. Para o risco no chão, o Cemaden publica boletins próprios, e a leitura do domingo está nesta outra matéria do site.
Domingo: o vermelho está no oeste do Paraná
No domingo (4), o aviso vermelho de tempestade vale para o oeste do Paraná, nas regiões de Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Foz do Iguaçu, e para o sudoeste, nas de Francisco Beltrão e Pato Branco. O INMET diz que não se descarta tempo severo. A lista de cidades está em outra matéria do site.
Segunda: o Sul continua no amarelo
Na segunda (5), as instabilidades seguem no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, com aviso amarelo de tempestade no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul.
O tempo só fica mais firme em áreas do Norte e no interior do Nordeste. A síntese da previsão, com o ciclone e o granizo, está na matéria da véspera.
Previsão de modelo não é pluviômetro
O mapa é do modelo COSMO, de 7 km, rodado às 00h UTC de 2 de outubro, e vale até 03h UTC de 6 de outubro, a meia-noite de segunda para terça no horário de Brasília. Modelo é projeção: o ponto exato do máximo pode mudar, e só o pluviômetro confirma quanto caiu.
A legenda do mapa vai de 1 a 400 mm. O número de 200 mm é um limite que o INMET diz poder ser superado em alguma parte do Paraná, e não um valor que cada cidade do estado vá receber. Em trechos vizinhos, o acumulado pode ser menor.
O que a conta de comparação não faz
As seis cidades da tabela estão em áreas citadas na previsão ou perto delas, e o INMET não prevê 200 mm para cada uma. A normal é média de mês inteiro, e uma chuva de quatro dias pesa de outro jeito, porque cai de uma vez e sobre solo que já recebeu água.
Na prática, o aviso vale mais que a conta
O que vale é o aviso da Defesa Civil do seu município e o alerta que chega ao celular. Se a água sobe na rua, a regra é sair do caminho dela antes de ela decidir por você.
Fontes: INMET, previsão para sábado (3), domingo (4) e segunda-feira (5), publicada em 2 de outubro de 2026, com a Figura 5. INMET, Normais Climatológicas do Brasil 1961-1990, precipitação acumulada mensal e anual. Cemaden, boletins de riscos geo-hidrológicos.



