Animais

Encontrou um animal silvestre ferido depois da chuva: para quem ligar? No Paraná é o 181 ou o 193, no Rio Grande do Sul a Brigada Militar ou a Sema, e em todo lugar a regra é não pegar nem alimentar

O temporal passou e, no quintal, tem um gambá encolhido num canto ou uma ave que não levanta voo. O impulso é pegar no colo. Os órgãos ambientais pedem o contrário. Com os avisos de hoje no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a redação juntou quem atende, estado por estado.

Animal silvestre ferido depois da chuva: dois gambás filhotes de boca aberta numa caixa de papelão forrada com jornal, resgatados em Porto Alegre

Gambás resgatados por equipe da Secretaria do Meio Ambiente de Porto Alegre numa residência, em agosto de 2018. Foto de arquivo, não é de animal das chuvas de agora. Foto: Soraya Ribeiro/Divulgação PMPA, Wikimedia Commons, licença de atribuição, recortada.

Ao achar um bicho silvestre ferido, não toque, não dê comida nem água e ligue antes de agir: Polícia Ambiental, Bombeiros (193) ou o órgão ambiental do estado. O Cetas é o centro que recebe o animal. É o que dizem Ibama, IAT e Sema/RS.

Por que o bicho aparece justo agora

A enxurrada mexe com a casa de quem vive no mato. A Sema gaúcha, em orientação a prefeituras de 24 de julho de 2026, lembra que espécies se deslocam sozinhas para áreas seguras e podem surgir em lugares estranhos sem que isso signifique, necessariamente, que precisem de resgate.

O documento trata também de animais feridos ou desalojados. Neste domingo (4), o INMET mantém aviso vermelho de tempestade no oeste e no sudoeste do Paraná, e o risco de chuva forte alcança Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul, como mostra a matéria do site sobre o mapa de risco.

Ferido de verdade ou só de passagem

A orientação técnica do Ibama no Rio de Janeiro dá a régua. O animal precisa de ajuda se está parado e sem reagir, sangrando ou machucado, com dificuldade de respirar ou convulsões, ou desidratado e magro, de olhos fundos e pelo sem brilho. Um adulto que se deixa pegar fácil também está em apuros.

Já a capivara ou o jacaré que aparecem perto de um parque, diz o Ibama, em geral não exigem nada: vivem ali e conseguem voltar sozinhos. Se estiverem feridos, aí sim chame ajuda.

O que fazer com animal silvestre ferido depois da chuva, minuto a minuto

Afaste pessoas e outros bichos. Nada de carinho: o Ibama avisa que o contato aumenta o estresse e o risco de choque, e diminui as chances de reabilitação e soltura. Também não ofereça comida ou água. A única exceção é o beija-flor, que recebe água com açúcar a cada 30 minutos.

Não tente tratar o machucado. Deixar o bicho quieto é o melhor tratamento até o resgate. Se for inevitável pegar, porque ele não oferece risco e está em estado crítico, use luvas e proteção, já que bicho silvestre pode passar doença para gente e animais de casa.

E um ponto que a água ensina rápido: ninguém precisa entrar em enxurrada para salvar bicho. Sempre que possível, a Sema pede que se evite capturar ou carregar o animal sem preparo, porque isso põe em risco as pessoas e o próprio bicho.

Ave de rapina de peito claro e asas abertas pousada em troncos dentro de um recinto de reabilitação, com fundo verde
Ave de rapina em reabilitação num Cetas do Ibama, em março de 2018. Foto de arquivo, não é de animal resgatado nas chuvas deste fim de semana. Foto: divulgação/Ibama, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0, sem corte.

Quem atende nos estados com aviso hoje

Não existe um número único no país. Cada estado tem o seu desenho, e a tabela abaixo junta o que cada fonte oficial aberta traz. Onde a fonte não indica quem retira o animal, a tabela diz isso em vez de chutar.

Estado com aviso hojeQuem chamar para retirar o bichoPara onde o animal vai
ParanáForça Verde, a Polícia Ambiental, pelo 181, os Bombeiros (193) ou o escritório regional do IATSem Cetas do Ibama na lista oficial. O IAT avalia o caso, pode resgatar ou indicar uma instituição parceira
Rio Grande do SulComando Ambiental da Brigada Militar: sede (51) 3320-6336, Santa Maria (55) 3221-7372, Pelotas (53) 3225-3722, e mais unidades por municípioCetas Porto Alegre, (51) 3224-8937, e Cetas Santa Maria, (55) 3178-0756
Rio de JaneiroPolícia Ambiental, Bombeiros (193) ou Guarda Municipal, segundo orientação do Ibama no RioCetas Seropédica, (21) 99770-8076, de segunda a sexta, 8h às 12h e 13h às 17h
Minas GeraisA página do Ibama lista só o centro que recebe o animal: ligue para ele e pergunte quem faz a retiradaCetas Belo Horizonte, (31) 3555-6100 (opção Cetas), Juiz de Fora, (32) 3233-1269, ou Montes Claros, (38) 3223-9669
Espírito SantoMesma situação de Minas: confirme a retirada por telefone com o centroCetas Serra, (27) 3010-3618
Mato Grosso do SulMesma situação: confirme a retirada por telefone com o centroCentro de Reabilitação (CRAS) do Imasul, estadual, em Campo Grande, (67) 3326-6003

Fontes: página dos Cetas do Ibama, consultada em 4 de outubro de 2026; orientação técnica do Ibama no Rio de Janeiro (2020); página de fauna do IAT; anexo da Sema/RS de 24 de julho de 2026. Telefones mudam: ligue antes de sair de casa.

Rio Grande do Sul: a Brigada tem lista por cidade

O anexo da Sema traz o telefone de cada unidade do Comando Ambiental da Brigada Militar e os municípios que ela cobre. A sede, em Porto Alegre, atende também Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí e Guaíba. Santa Maria, Pelotas, Caxias do Sul e Rio Grande têm unidade própria.

A Divisão de Fauna da Sema divulga o WhatsApp (51) 98593-1288, de segunda a sexta, das 9h às 17h30. A Superintendência do Ibama no estado aparece com os telefones (51) 3214-3401 e (51) 3224-8937 e o WhatsApp (51) 99810-0325.

Paraná: sem Cetas na lista, o IAT é o caminho

A página do Ibama não traz Cetas no Paraná, e é o IAT que orienta. Para animal agressivo, que ameace pessoas ou corra risco de morte, o instituto manda avisar a Força Verde (181), os Bombeiros (193) ou o escritório regional mais próximo. Nos outros casos, ele avalia o caso e pode resgatar ou indicar um parceiro.

Ave escura de crista pousada num galho seco e retorcido, com folhagem verde desfocada ao fundo
Ave em reabilitação num Cetas do Ibama, em fevereiro de 2018. Foto de arquivo, sem relação com os temporais de agora. Foto: divulgação/Ibama, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0, sem corte.

Cobra, bicho peçonhento e morcego têm outra porta

Para fauna peçonhenta, ligada a zoonoses ou de relevância para a saúde pública, o IAT diz que a coleta cabe ao sistema de saúde e recomenda acionar a Secretaria de Saúde local. Sobre cobra dentro de casa, veja cobra em casa depois da chuva.

E se o ferido for cachorro ou gato?

Aí o caminho muda. O IAT diz que não resgata animais domésticos. Quem ainda está com o pet em casa e teme a próxima rodada de chuva pode antecipar o que ajuda numa busca: a identificação do pet antes do temporal.

Levar ao Cetas: a viagem também tem regra

Segundo o Ibama, só se transporta animal silvestre com autorização do órgão, pedida antes. Por isso a ligação vem primeiro. Com o aval, o bicho vai numa caixa bem fechada, nunca no colo, no banco ou no chão do carro, com janelas fechadas, silêncio e, se der, ar-condicionado desligado.

Já filhote com penugem, caído no chão, nem sempre foi abandonado. Antes de levar, confira o que a ciência diz sobre tocar em filhote de ave. A lista completa dos Cetas por estado está em outra matéria do site.

Onde esta lista termina

A orientação técnica do Ibama usada aqui é de 2020 e vale para o Rio de Janeiro. Em Minas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, a página do Ibama traz o centro que recebe o animal, mas não o canal de retirada. Por isso a tabela manda confirmar por telefone.

Fontes: Ibama, página dos Cetas. Ibama/RJ, Informação Técnica nº 3/2020. IAT/PR, Gestão da Fauna Silvestre. Sema/RS, Fauna Silvestre. Sema/RS, orientação aos municípios, 24 de julho de 2026.

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