Tempo e clima

A Marinha do Brasil emite aviso de ressaca quando as ondas ultrapassam 2,5 metros na costa, e o Centro de Hidrografia orienta consultar o alerta vigente antes de ir ao mar

O Centro de Hidrografia da Marinha, pelo Serviço Meteorológico Marinho, emite avisos de mau tempo sempre que ondas, vento forte ou baixa visibilidade colocam banhistas, pescadores e embarcações em risco no litoral brasileiro. Veja aqui o critério oficial de ressaca e os canais gratuitos para checar o boletim em vigor.

Banhistas no mar na Praia do Leme, no Rio de Janeiro, um dos trechos de litoral cobertos pelos avisos de ressaca da Marinha

A Praia do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro: trecho do litoral coberto pelos avisos de mau tempo do Centro de Hidrografia da Marinha. Foto: Jorge Láscar/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) emite o aviso de ressaca sempre que a previsão indica ondas acima de 2,5 metros atingindo a faixa litorânea brasileira. O boletim sai pelo Serviço Meteorológico Marinho (SMM), setor do CHM responsável pela meteorologia marinha no país.

Esse aviso cobre toda a costa do Brasil, dividida pela Marinha em faixas costeiras e oceânicas, segundo o serviço descrito no portal gov.br. A mesma página lista o site do CHM, o Facebook do SMM e o aplicativo Boletim ao Mar como canais gratuitos para consultar o boletim em vigor.

O critério da Marinha é objetivo: a Marinha classifica como aviso de ressaca qualquer previsão de ondas acima de 2,5 metros chegando à orla. O CHM emite esse aviso separado do vento forte e do mar grosso, que têm limites próprios em nós e em metros, descritos logo mais.

O critério que separa ressaca, mar grosso e vento forte no boletim do CHM

Mar grosso é declarado quando as ondas alcançam 3 metros na área costeira ou 4 metros na área oceânica, um degrau acima da ressaca. Já o vento forte entra no boletim a partir de 28 nós, o equivalente a 52 km/h, na faixa costeira, ou 34 nós, 63 km/h, mar afora.

A baixa visibilidade também entra na lista, declarada quando dá para enxergar menos de 1 quilômetro no mar. Cada tipo de aviso aparece separado no boletim, porque o risco e a resposta esperada mudam conforme o fenômeno.

Por que a Marinha separa área costeira de área oceânica

O Brasil responde por uma faixa marítima chamada METAREA V, atribuída ao país pela Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), da qual é signatário, como explica o Clube do Arrais, site voltado a navegantes amadores. Essa faixa é dividida em áreas menores, costeiras e oceânicas.

A área costeira cobre a faixa mais perto da terra, onde ficam praias, costões e a rota de barcos pequenos. A área oceânica cobre o mar aberto, onde navegam embarcações maiores, por isso os limites de onda e vento sobem nessa faixa.

Quem prepara o boletim e de onde vêm os dados usados nele

Previsores do Serviço Meteorológico Marinho analisam radar, satélite e boias oceânicas antes de fechar cada boletim de mau tempo. Uma das fontes é o Programa Nacional de Boias (PNBOIA), mantido pela própria Marinha ao longo da costa brasileira.

Militares da Marinha do Brasil recolhem uma boia do Programa Nacional de Boias (PNBOIA) a bordo do navio hidroceanográfico Amarim do Valle
Em apoio ao Programa Nacional de Boias (PNBOIA), o Navio Hidroceanográfico Amarim do Valle (H35) recolhe uma boia marítima para manutenção. Foto: Marinha do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

Cada boia mede altura de onda, direção do vento e temperatura da água em tempo real, e envia o resultado para os previsores em terra. Navios hidroceanográficos da Marinha saem periodicamente ao mar para dar manutenção nesses equipamentos, como mostra o registro acima.

Onde consultar o aviso vigente antes de sair de casa?

O canal mais direto é o site do Centro de Hidrografia da Marinha, que publica os avisos de mau tempo em vigor para cada trecho da costa. A página "Serviço Meteorológico Marinho" no Facebook replica os mesmos boletins em linguagem mais simples.

Para quem está no mar, o app Boletim ao Mar reúne o mesmo conteúdo no celular, e navios e barcos maiores recebem o aviso por rádio, nas frequências VHF e HF e pelo sistema internacional SafetyNET. O serviço inteiro é gratuito, mantido pela Marinha.

O aviso de setembro de 2026 cobriu o litoral entre Santos e Arraial do Cabo

Em 2 de setembro de 2026, a Marinha emitiu aviso de ressaca para o litoral entre Santos, em São Paulo, e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, com ondas de até 2,5 metros. O aviso vigorou da meia-noite às 21h daquele mesmo dia, segundo o Diário do Estado de São Paulo.

A orientação foi evitar banho de mar e a permanência na arrebentação, além de suspender pesca e navegação enquanto o aviso estivesse ativo. A Marinha também pediu atenção redobrada perto de costões e molhes, e recomendou seguir a sinalização dos salva-vidas nas áreas monitoradas.

Em maio, um aviso semelhante cobriu a orla do Rio de Janeiro

Pescadores a bordo de um barco de pesca ao largo de Cabo Frio, no Rio de Janeiro
Pescadores a bordo de um barco perto de Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro: a Marinha orienta suspender a navegação enquanto o aviso de ressaca estiver em vigor. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC0).

Dois meses antes, em 2 de maio de 2026, outro aviso de ressaca havia coberto a orla do Rio de Janeiro, com ondas entre 2,5 e 3 metros previstas para Copacabana e arredores. Segundo a Agência Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação, o aviso valeu das 18h de domingo (3) às 15h de terça-feira (5).

Pescadores foram orientados a evitar a navegação enquanto o aviso estivesse em vigor, e a orientação incluiu ainda evitar banho de mar, esportes aquáticos e a permanência em mirantes próximos ao mar. As emergências deveriam ser reportadas ao Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193.

As duas ocorrências mostram o mesmo gatilho de 2,5 metros

Nos dois avisos, o gatilho citado pela Marinha foi o mesmo: ondas a partir de 2,5 metros alcançando a faixa litorânea, seja no litoral paulista, no fluminense ou em qualquer outro trecho do país. O que muda de um caso para outro é apenas a extensão da área coberta e o horário de início e fim do aviso.

Cada boletim vale só para o período informado nele, e a Marinha reemite o aviso sempre que as condições mudam ou o risco termina. No litoral catarinense, uma combinação parecida de vento e pressão já resultou em algo mais raro, o tsunami meteorológico que invadiu um restaurante em Laguna.

O que a Marinha orienta banhistas, pescadores e navegantes a fazer

Nos avisos emitidos até aqui, a recomendação se repete: evitar o banho de mar, a permanência em costões e a saída de barcos pequenos enquanto o alerta estiver ativo. Quem mora perto da praia deve redobrar a atenção com objetos soltos e evitar mirantes e passeios junto à arrebentação.

Os canais oficiais de emergência são o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, e a Defesa Civil, pelo telefone 199, segundo os dois avisos descritos acima.

A pesca no Brasil segue outro calendário de proteção, o da piracema, quando rios como os de Mato Grosso fecham para a reprodução dos peixes. A lógica se repete: checar o aviso ou a norma vigente antes de sair, em vez de confiar só na memória do ano passado.

O aviso vale só enquanto o boletim estiver em vigor, nunca depois

Nada neste texto substitui o boletim atualizado: os três avisos citados aqui já venceram, e a situação do mar muda de um dia para o outro conforme entra ou sai uma frente fria. O mesmo tipo de sistema já esteve por trás do alerta vermelho de tempestade que atingiu o Sul do Brasil em setembro.

Antes de qualquer saída ao mar, o caminho é abrir o site do CHM ou o app Boletim ao Mar e checar o aviso do dia.

Não cabe aqui dizer se é seguro ir ao mar, pescar ou viajar hoje: essa resposta está apenas no aviso vigente, publicado pela própria Marinha. Qualquer decisão sobre sair ou não deve seguir o boletim atualizado, e não os exemplos passados reunidos acima.

O canal é gratuito, mantido pela Marinha, e vale checar antes de qualquer saída

O serviço de meteorologia marinha do CHM não cobra nada do usuário e fica disponível o tempo todo pelo site, pelo Facebook e pelo aplicativo Boletim ao Mar. Quem tiver dúvida sobre um boletim específico pode acionar a ouvidoria da Diretoria de Hidrografia e Navegação, também listada no portal gov.br.

Para quem mora perto do mar ou depende dele para pescar, esse hábito de checagem vira rotina, principalmente em época de frente fria. Você já checou um aviso de ressaca antes de ir à praia ou sair para pescar? Conte nos comentários.

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