A Marinha do Brasil publica todo ano a Tábua das Marés com os horários de preamar e baixa-mar dos principais portos do litoral brasileiro, e a altura ali não é a profundidade real da água
Preamar é o instante em que a maré chega ao ponto mais alto, e baixa-mar é o oposto. A tábua anual do Centro de Hidrografia da Marinha mostra esses horários porto por porto, com a altura medida a partir de um nível de referência fixo da carta náutica, e não do fundo do mar.

A Ilha Fiscal, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Do outro lado da mesma baía, em Niterói, fica a Base de Hidrografia da Marinha, onde o Centro de Hidrografia da Marinha calcula a tábua de marés do litoral brasileiro. Foto: Marinha do Brasil, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.
A Marinha do Brasil publica todo ano a Tábua das Marés, com os horários e a altura de preamar e baixa-mar dos principais portos, ilhas e barras do litoral brasileiro.
O trabalho fica a cargo do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), na Base de Hidrografia da Marinha, em Niterói, que também mantém a página de Previsão de Marés no site da instituição.
Preamar é o pico da maré alta, baixa-mar é o pico da maré baixa, e a altura ao lado de cada horário mede a distância até um nível de referência fixo da carta náutica, não a profundidade real da água naquele ponto do mar.
O que a tábua de marés mostra: horário e altura de preamar e baixa-mar
A tábua de marés traz, para cada porto, os horários em que a água atinge o ponto mais alto do dia, a preamar, e o ponto mais baixo, a baixa-mar. Ao lado de cada horário aparece a altura da água naquele instante, em metros.
Essa altura não corresponde à profundidade do mar naquele ponto. Ela mede a distância entre o nível da água e um plano de referência fixo, adotado pela Marinha nas cartas náuticas do litoral brasileiro.
O nível de redução: o zero que serve de referência para toda a tábua
No Brasil, o Centro de Hidrografia da Marinha usa como nível de redução um plano próximo à média das baixa-mares de sizígia, as mais baixas do mês, quando o Sol e a Lua se alinham com a Terra.
Esse plano funciona como o zero da tábua. Um valor de 1,2 metro às 14h, por exemplo, indica que a água está 1,2 metro acima desse zero, e não que o mar tem 1,2 metro de fundo ali.
Como o Centro de Hidrografia da Marinha calcula a previsão de cada porto
As previsões da Tábuas das Marés são elaboradas no CHM a partir de componentes harmônicas obtidas em observações de longo prazo, feitas por diferentes instituições ao longo da costa brasileira.
O cálculo usa o Método de Análise Harmônica, desenvolvido pelo vice-almirante Alberto dos Santos Franco. Na edição de 2025 da publicação, o CHM previa a maré de 44 portos, 2 ilhas oceânicas, 2 ilhas costeiras, 5 barras, um fundeadouro e um atracadouro do litoral, além de um fundeadouro na Estação Antártica Comandante Ferraz.
Como encontrar a tábua do porto mais próximo de você?
A forma mais direta é abrir a página de Previsão de Marés do Centro de Hidrografia da Marinha, no site da Marinha do Brasil, e escolher a estação mais próxima do trecho de costa que você quer consultar.
Cada porto tem sua própria tábua, porque a maré depende da geografia local: a forma da baía, a largura do canal e a profundidade do fundo do mar mudam o comportamento da água em cada ponto da costa.
Por que a maré muda de horário e de altura entre um porto e outro?
A atração da Lua e do Sol sobre os oceanos gera a maré, mas a resposta da água varia com a geografia de cada trecho da costa, entre baías fechadas, barras estreitas e mar aberto.
Por isso a tábua de um porto não serve para outro, mesmo quando as cidades ficam próximas. Cada estação tem sua própria série de observações, usada para calcular a previsão daquele ponto específico.
O marégrafo, o instrumento que mede a maré de verdade
O marégrafo registra, de forma contínua, a altura real da água em um porto. É a partir dessas observações de longo prazo que o CHM extrai as componentes harmônicas usadas no cálculo da tábua.
Marégrafos também entram na confirmação de eventos fora do padrão: em Santa Catarina, a Defesa Civil cruzou dados de radares, satélites e marégrafos para confirmar o tsunami meteorológico que atingiu o litoral de Laguna em setembro de 2026.
Amplitude da maré: o que faz a diferença entre preamar e baixa-mar variar
Amplitude é a diferença de altura entre a preamar e a baixa-mar seguintes. Ela muda dia a dia, porque depende da posição da Lua e do Sol em relação à Terra, maior perto da lua nova e da lua cheia.
Essa variação explica por que, ao longo do mês, a mesma tábua mostra marés que sobem e descem mais em alguns dias do que em outros, no mesmo porto, sem nenhuma mudança no vento ou no tempo local.
A tábua prevê o nível da água, e não diz se é seguro entrar no mar
A previsão da tábua é astronômica, calculada a partir da posição da Lua e do Sol, sem considerar o vento, a ressaca ou uma tempestade que estejam acontecendo naquele dia específico.
Por isso a Marinha do Brasil mantém avisos à parte para mau tempo, ressaca e vento forte no mar, como o alerta vermelho que o Inmet emitiu para o Sul do Brasil em setembro de 2026. Antes de qualquer atividade na costa, vale consultar o aviso oficial vigente, e não somente o horário da tábua.
Onde acompanhar a tábua e os avisos vigentes do litoral brasileiro
A Tábuas das Marés é publicada todos os anos pelo CHM, com previsões específicas para cada porto e ilha cobertos pela publicação, além da própria página de Previsão de Marés no site da Marinha do Brasil.
Quem pesca também depende de outra data oficial, a do defeso: em Mato Grosso, por exemplo, os rios fecham para a pesca a partir de outubro. Você já reparava nos horários de preamar e baixa-mar antes de descer para a praia? Conte pra gente nos comentários.



