Vivi Orth conta que a própria agência marcou uma cirurgia para ela aos 17 anos, sem avisar direito o motivo, e o jeito que ela achou pra escapar daquilo virou a parte mais lembrada do desabafo
Aos 34 anos e com duas décadas de carreira, a modelo paranaense Vivi Orth relembrou em depoimento à revista Quem, publicado neste mês, a pressão estética que viveu no início da profissão.
Vivi Orth, modelo de Toledo (PR) com passagens por Dior, Balenciaga e Louis Vuitton. Foto: 亜々乱 山岸 河合/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).
Vivi Orth, modelo de Toledo (PR) com passagens por Dior e Louis Vuitton, contou à revista Quem que a própria agência marcou uma lipoaspiração pra ela aos 17 anos, sem consulta de verdade, depois que ela engordou 12kg tomando anticoncepcional, e revelou como driblou o procedimento sozinha
Vivi Orth abriu o jogo sobre um episódio que guardou por quase duas décadas: aos 17 anos, sua agência marcou uma lipoaspiração sem consultá-la de verdade sobre o motivo, depois que ela engordou 12 quilos em dois meses tomando anticoncepcional. A modelo, hoje com 34 anos, construiu carreira em desfiles de Dior, Balenciaga e Louis Vuitton.
Segundo o relato, publicado pela revista Quem e reproduzido pelo site MundoBoaForma, Vivi vivia então os primeiros anos de profissão. Era um período em que agências cobravam medidas rígidas das modelos para garantir espaço nas passarelas e nos catálogos das grifes.
Vivi Orth nunca fez a cirurgia marcada pela agência. No dia agendado, em vez de ir para o hospital, ela pegou um ônibus e voltou para Toledo, sua cidade natal no interior do Paraná.
Foi um jeito solitário de driblar uma decisão que não era dela, e o relato reabre a discussão sobre a pressão do mercado da moda sobre adolescentes ainda menores de idade.
Vivi Orth engordou 12kg em dois meses tomando anticoncepcional
O caso começou de um jeito banal: Vivi, então adolescente, passou a tomar anticoncepcional, "como qualquer outra mulher", segundo contou à Quem. O efeito colateral veio rápido, e ela ganhou 12 quilos em apenas dois meses.
Para uma modelo no início de carreira, contratada justamente pelas medidas, a mudança de peso não era vista pela agência como uma questão de saúde, e sim como um problema a ser resolvido o quanto antes.
"A agência entrou em profundo desespero", diz a modelo
Foi assim que Vivi descreveu a reação de quem cuidava da carreira dela na época: "A agência entrou em profundo desespero", relatou à revista Quem, ao lembrar como o ganho de peso foi recebido pela equipe que a representava.
O desespero, segundo ela, não veio de uma preocupação com o bem-estar da adolescente, mas do risco de perder contratos numa indústria que, à época, tratava manequins fora do padrão como motivo de urgência.
Quanto pesava o padrão exigido pela moda na época?
Vivi tem 1,82 m de altura e, segundo o relato, era cobrada para manter o manequim 34, uma numeração enxuta mesmo para modelos mais baixas.
"Antigamente a gente realmente tinha que fazer loucuras para nos mantermos dentro daquele padrão que era praticamente impossível", disse ela à Quem, sobre a cobrança que sofria ainda adolescente.
A frase resume o que Vivi chama de rotina da época: dietas extremas, cobrança constante e pouquíssima margem entre o considerado ideal para desfilar e o que o corpo de uma adolescente conseguia sustentar com saúde.
A cirurgia foi marcada sem consultar Vivi de verdade
Diante do ganho de peso, a solução que a agência encontrou foi marcar uma lipoaspiração para a jovem modelo, então com apenas 17 anos, idade em que ainda nem tinha atingido a maioridade civil.
Vivi foi clara à Quem sobre o efeito que a notícia da cirurgia marcada teve nela: pânico, na hora em que percebeu que o procedimento já estava agendado.
"Entrei em pânico": o dia em que ela driblou a cirurgia
"Eu entrei em pânico e, no dia marcado, ao invés de ir para o hospital, peguei um ônibus e voltei para Toledo", contou Vivi Orth à revista Quem, descrevendo a fuga que a livrou do procedimento.
A decisão, tomada sozinha por uma adolescente sem apoio médico ou familiar direto no momento, foi o jeito que ela encontrou de escapar de uma cirurgia que não queria fazer e da qual, segundo o relato, não tinha certeza dos riscos.
O relato reacendeu a discussão sobre pressão estética na moda
Depois de publicado, o depoimento de Vivi Orth repercutiu entre quem acompanha o mercado da moda, reforçando um debate antigo sobre os limites impostos a adolescentes contratadas para desfilar.
Historicamente, agências e grifes foram cobradas por expor jovens modelos a rotinas extremas de dieta e a pressão constante por manequins cada vez menores, prática questionada com mais força nas últimas duas décadas.
Vivi não é só quem sofreu a pressão: hoje ela também cobra postura de quem entra na profissão sem o preparo técnico da carreira. Em entrevista ao Terra, ela criticou influenciadores sem experiência que desfilam no São Paulo Fashion Week, dizendo que a profissão "está sendo cada vez mais diminuída" no Brasil.
O padrão mudou desde que Vivi começou a carreira?
Para Vivi Orth, sim, ao menos em parte. "Não existe mais, hoje em dia, você virar para uma menina de 20 anos e falar que ela é velha", afirmou a modelo à Quem, ao comparar o mercado atual com o que viveu na adolescência.
A declaração aponta para uma mudança de discurso dentro da própria indústria, ainda que Vivi não tenha afirmado que a pressão por determinado tipo de corpo tenha desaparecido por completo.
De Toledo (PR) para as passarelas de Dior e Louis Vuitton
Apesar do episódio traumático no início da carreira, Vivi Orth seguiu na profissão e construiu uma trajetória de duas décadas que incluiu desfiles para grifes como Dior, Balenciaga e Louis Vuitton.
Hoje, aos 34 anos, ela segue ativa como modelo e também como referência para novas gerações, num mercado onde bastidores difíceis também apareceram em relatos como o de Carolina Herrera, que voltou às passarelas aos 87 anos desafiando outro tipo de padrão etário da moda.
O ponto que fica em aberto nesse relato
A agência responsável por marcar a cirurgia não foi identificada pelo nome no depoimento publicado pela revista Quem.
Vivi contou a própria experiência, sem apontar nomes de colegas nem afirmar que episódios como esse se repetem hoje do mesmo jeito. O relato vale pelo que ela viveu, não como retrato de toda a indústria atual.
Vivi Orth segue na moda duas décadas depois do episódio
Passados quase 20 anos daquele dia em que pegou o ônibus de volta para Toledo, Vivi Orth segue trabalhando como modelo e usando a própria história para discutir, publicamente, os limites que o mercado da moda impõe a adolescentes contratadas ainda menores de idade.
"Jamais imaginei que chegaria nessa idade modelando e nem penso em parar", disse ela à Quem, fechando o relato com o tom de quem transformou um episódio de pânico em ponto de partida para uma carreira longa.
Outras famosas também usaram as redes ou entrevistas recentes para expor bastidores da própria profissão, como fez Jade Seba ao contar como foi o primeiro ano de carreira na internet e como fez Wanessa Camargo ao rebater publicamente uma versão contada sobre ela na TV.
Você acha que a pressão estética sobre modelos adolescentes mudou de verdade nas últimas duas décadas, ou só o discurso da indústria é que ficou diferente? Deixe sua opinião nos comentários.



