Niterói ficou à frente de Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires num ranking mundial que avaliou 100 cidades pela bicicleta, e a colocação exata surpreende pelo tamanho da cidade
O resultado saiu num levantamento internacional divulgado em novembro de 2025, e colocou a cidade fluminense, vizinha do Rio de Janeiro do Flamengo, à frente de metrópoles bem maiores da América Latina.
Ciclista em trilha com vista para a Baía de Guanabara, em Niterói. Foto: Marcelochal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Niterói ficou em primeiro lugar entre as cidades da América Latina no Copenhagenize Index 2025, ranking que avaliou 100 cidades de 44 países pela infraestrutura, o uso e as políticas de incentivo à bicicleta, e chegou à 43ª posição geral, sétima entre as cidades não europeias, à frente de Bogotá, Fortaleza e Buenos Aires.
Niterói, no Rio de Janeiro, ficou em primeiro lugar entre as cidades da América Latina no Copenhagenize Index 2025, o principal ranking mundial dedicado a medir o quanto uma cidade é amigável para quem anda de bicicleta.
O levantamento avaliou 100 cidades de 44 países e colocou o município fluminense à frente de nomes conhecidos como Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires, cidades bem maiores em população e orçamento. É um resultado que se soma a outras cidades brasileiras que apareceram no radar do turismo internacional este ano, caso de Gramado, premiada pelo TripAdvisor.
Segundo a Prefeitura de Niterói, o índice é organizado pela Copenhagenize Design Company em parceria com o Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia e considera três pilares: infraestrutura segura e conectada, uso e alcance da bicicleta no dia a dia, e políticas públicas de incentivo ao pedal.
Niterói terminou na 43ª posição entre as 100 cidades avaliadas no ranking mundial, o que a deixou em sétimo lugar entre os centros não europeus e em primeiro na América Latina, resultado de quase 90 quilômetros de ciclovia e de um sistema de bicicletas gratuito que já passa de 1,7 milhão de viagens.
Um índice internacional colocou 100 cidades na régua da bicicleta
O Copenhagenize Index é considerado a principal referência mundial para medir mobilidade ciclística urbana desde que passou a ser publicado, e costuma ser dominado por cidades europeias como Amsterdã e Copenhague, que criaram o método. Entrar entre as 100 avaliadas já é um recorte que deixa de fora a maioria das cidades do planeta.
Para compor a nota final, os avaliadores cruzam dados de infraestrutura cicloviária, comportamento real de quem pedala e o histórico de políticas públicas de cada cidade ao longo dos anos, não apenas o estado atual das ruas.
Niterói ficou à frente de Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires
Na comparação latino-americana, Niterói superou cidades muito maiores em população e em orçamento, como Bogotá, na Colômbia, Fortaleza, no Ceará, Guadalajara, no México, e Buenos Aires, na Argentina.
O resultado chama atenção justamente por isso: Niterói tem cerca de 500 mil habitantes, uma fração da população das metrópoles que ficaram atrás dela na lista, a maioria com mais de 1 milhão de moradores.
Como Niterói chegou à 43ª posição num ranking mundial de bicicleta?
A colocação de Niterói veio da soma dos três pilares do índice: quase 90 quilômetros de malha cicloviária, o sistema público gratuito de bicicletas em funcionamento e um programa municipal de incentivo ao pedal que começou em 2013.
"A conquista internacional é resultado de um processo que iniciamos já em 2013, com a criação do programa Niterói de Bicicleta", afirmou o prefeito da cidade, segundo comunicado publicado pela própria Prefeitura de Niterói.
Os quase 90 quilômetros de ciclovia que sustentam o resultado
A malha cicloviária de Niterói soma cerca de 90 quilômetros entre ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e calçadas compartilhadas, segundo os dados usados no ranking. O número inclui trechos junto à orla, ligações entre bairros e vias que dão acesso ao centro da cidade.
Parte dessa estrutura foi ampliada nos últimos anos, com a criação do Bicicletário Arariboia, que reserva 815 vagas perto de um dos principais terminais de ônibus e barcas da cidade.
Tudo começou em 2013, com 20 quilômetros de ciclovia
Quando o programa Niterói de Bicicleta foi criado, em 2013, a cidade tinha cerca de 20 quilômetros de estrutura cicloviária. Segundo a Prefeitura, a malha cresceu 4,55 vezes desde então, até chegar aos quilômetros usados na avaliação de 2025.
"Esses investimentos dos últimos anos foram fundamentais para posicionar Niterói nesse que é o principal ranking", disse o coordenador municipal de mobilidade ativa, também em comunicado da Prefeitura.
O NitBike já passa de 1,7 milhão de viagens gratuitas
O NitBike é o sistema público e gratuito de bicicletas compartilhadas de Niterói. Desde que foi lançado, já ultrapassou 1,7 milhão de viagens registradas, segundo balanço da Prefeitura citado nas coberturas do ranking.
O sistema funciona com estações espalhadas por pontos de grande circulação, como a Praça Arariboia, e permite retirar e devolver a bicicleta sem custo para quem está cadastrado. É um modelo parecido com o de outras iniciativas de mobilidade elétrica que vêm crescendo no país, como os carros elétricos que ganharam mais autonomia por um preço menor em 2027.
Quantas pessoas usam o sistema de bicicletas de Niterói?
O NitBike soma cerca de 150 mil usuários cadastrados, um número que cresceu junto com a expansão das estações e da malha cicloviária ao longo dos últimos anos, segundo dados da Prefeitura de Niterói.
Além do sistema compartilhado, a cidade tem o Bicicletário Arariboia, voltado para quem já tem bicicleta própria e precisa de um lugar seguro para deixá-la perto do transporte público.
O índice não mostra buraco na ciclovia nem risco de furto
O Copenhagenize Index mede infraestrutura, uso e política pública em escala de cidade, não a experiência de cada ciclista em cada rua. O ranking não entra em detalhes como acidentes, furto de bicicleta ou o estado de conservação de cada trecho de ciclovia.
Isso não invalida a colocação da cidade na lista, mas explica por que quem já pedala em Niterói pode ter uma opinião diferente da nota internacional: uma coisa é a estrutura instalada, outra é como ela funciona no dia a dia de quem usa.
Niterói agora mira ainda mais investimento em mobilidade
Com o resultado do Copenhagenize Index em mãos, a Prefeitura de Niterói passou a usar a colocação como argumento para buscar mais recursos e ampliar o sistema NitBike e a malha cicloviária nos próximos anos, segundo o comunicado oficial divulgado pelo município.
Para você, o que pesa mais numa cidade boa para pedalar: a quilometragem de ciclovia, o preço do sistema de bicicletas ou a sensação de segurança no trânsito? Deixe sua opinião nos comentários.



