Um lutador japonês famoso foi provar fruta de graça numa banca do Mercadão de São Paulo e a conta que chegou depois surpreendeu até quem trabalha lá todos os dias
O golpe da fruta voltou a repercutir depois que o lutador japonês Kushida relatou ter pago R$ 95 por dois kiwis que achava estar só experimentando, num caso registrado no Mercadão de São Paulo em agosto de 2026.
Banca de frutas no Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão, onde vendedores oferecem degustação antes de cobrar pelo produto. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O lutador japonês Kushida foi ao Mercadão de São Paulo em agosto de 2026, aceitou provar um pedaço de kiwi numa banca de frutas e só soube depois que a amostra seria cobrada. Pagou R$ 95 pelos dois kiwis, e o Procon Paulistano avalia a prática como possível abuso ao consumidor.
Kushida, lutador japonês que já passou por WWE, AEW e New Japan Pro-Wrestling, visitou o Mercado Municipal de São Paulo em agosto de 2026 e aceitou a oferta de um vendedor para provar um pedaço de kiwi de graça numa das bancas de frutas.
Segundo reportagem do ND Mais, assinada pela repórter Camila Souza, o lutador só percebeu que a amostra seria cobrada quando o vendedor já tinha pesado e embalado dois kiwis inteiros, no valor de R$ 95, o equivalente a cerca de 3 mil ienes.
O golpe da fruta é real e documentado: vendedores oferecem a degustação sem avisar que ela será cobrada, e quem aceita acaba levando o produto para casa sem ter pedido. O Procon Paulistano confirma que a prática pode configurar abuso contra o consumidor, mesmo sem processo aberto até agora.
Vendedor oferece o pedaço de kiwi como se fosse cortesia da casa
A cena se repete em várias bancas do Mercadão: o vendedor corta um pedaço da fruta, estende ao cliente e convida para experimentar, sem falar em preço. Para quem passa rápido pelo corredor, parece só uma cortesia comum de feira.
O problema aparece depois: ao aceitar o pedaço, o cliente já está, na prática, concordando em levar a fruta inteira, cortada e pesada pelo próprio vendedor, sem ter pedido a quantidade nem perguntado o valor.
Degustação grátis em banca de feira ou mercado pode ser golpe?
Pode, segundo o Procon Paulistano. O órgão informou ao ND Mais que oferecer amostra de graça sem deixar claro, antes, que ela será cobrada depois pode caracterizar prática abusiva contra o consumidor.
Até a data da reportagem, o Procon Paulistano não tinha reclamações formais registradas especificamente sobre essa prática nas bancas do Mercadão, mas orienta o consumidor a denunciar assim que ela acontecer.
Kushida pagou R$ 95 por dois kiwis que achava estar só provando
O valor final chegou a R$ 95 pelos dois kiwis, segundo o relato do próprio lutador nas redes sociais, reproduzido pelo ND Mais. Ele comparou o valor a cerca de 3 mil ienes, moeda do Japão, para dimensionar o susto.
O caso viralizou porque Kushida é conhecido do público de luta livre no Brasil, por passagens recentes pela WWE e pela AEW, e porque o relato bateu com queixas antigas de outros visitantes do Mercadão.
O que fazer se for cobrado depois de uma degustação gratuita?
O ND Mais reuniu, com base em orientações do Procon, um roteiro para quem já foi cobrado sem esperar. O primeiro passo é guardar o comprovante de pagamento e fotografar a placa de preço exposta na banca.
Também vale anotar o nome ou o número da banca, acompanhar a pesagem da próxima vez e, se possível, perguntar em voz alta se a degustação é gratuita antes de aceitar qualquer pedaço oferecido.
Código de Defesa do Consumidor cita informação de preço e prática abusiva
A reportagem do ND Mais cita dois artigos do Código de Defesa do Consumidor. O artigo 31 exige que o fornecedor informe o preço do produto de forma clara antes da compra.
Já o artigo 39 proíbe práticas abusivas nas relações de consumo, categoria em que o Procon Paulistano encaixa a degustação cobrada sem aviso prévio, segundo o relato publicado.
Veja o passo a passo de quem já pagou e quer o dinheiro de volta
Quem já foi cobrado numa degustação e guardou o comprovante pode registrar reclamação formal. Em São Paulo, o canal é o SP156, o sistema de atendimento da prefeitura que recebe denúncias de práticas comerciais.
Fora de São Paulo, o caminho é o Procon da própria cidade ou estado. Vale citar os artigos 31 e 39 do Código de Defesa do Consumidor na reclamação, o mesmo embasamento usado pelo Procon Paulistano no caso do Mercadão.
| Item | O que fazer |
|---|---|
| Antes de aceitar a amostra | Perguntar se a degustação é gratuita |
| Na hora da pesagem | Acompanhar e conferir o preço exposto |
| Se já foi cobrado | Guardar comprovante e fotografar o preço |
| Para reclamar | SP156 (capital paulista) ou Procon local |
Nem toda degustação é golpe, e o Procon ainda não abriu processo contra ninguém
Vale um ponto importante: degustação gratuita é prática comum e legítima em feiras e mercados no Brasil inteiro, e a maioria dos vendedores avisa o cliente antes de cobrar qualquer coisa.
O Procon Paulistano tratou o caso como alerta, não como acusação formal contra o Mercadão ou contra vendedores específicos, e nenhuma banca foi identificada ou multada em nenhum documento oficial conhecido até agora.
Situação segue sem punição oficial contra os vendedores até agora
Passado mais de um mês do caso de Kushida, o Mercadão de São Paulo segue funcionando normalmente, e o Procon Paulistano não confirmou nenhuma multa ou processo específico ligado à degustação de frutas.
O golpe da fruta virou, por enquanto, um alerta de comportamento: quem visita o mercado ou uma feira livre já sabe que vale perguntar o preço antes de aceitar qualquer amostra oferecida no balcão.
É uma cautela parecida com a que vale para outras contas grandes do dia a dia, para quem acompanha o calendário de benefícios sociais ou pesquisa preço antes de comprar um produto caro.
Na sua opinião, quem oferece a degustação tem obrigação de avisar o preço antes, ou a responsabilidade é de quem aceita a amostra sem perguntar? Deixe sua opinião nos comentários.



