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O vídeo diz que biscoito recheado tem petróleo e milhões acreditaram: a Anvisa abriu a receita e o que tem lá dentro é outra coisa

Vídeos que viralizaram nas redes acusam biscoitos recheados de terem petróleo na receita. A Anvisa respondeu em nota oficial no dia 15 de setembro de 2026.

Pacote de biscoito recheado, alvo do boato de que o produto tem petróleo no recheio

Vídeo que viralizou no TikTok questiona se o Oreo tem "derivados de petróleo" na receita. Reprodução/TikTok (@antonio.kraychete)

Um boato que passou a circular no TikTok, no Instagram e no WhatsApp na segunda semana de setembro de 2026 afirma que biscoitos recheados, entre eles o Oreo, levam petróleo na composição. Em nota publicada no dia 15 de setembro de 2026 e replicada pela Rádio Gov, da EBC, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou a informação como falsa.

A confusão nasce do hexano, um solvente industrial: ele participa da extração do óleo vegetal usado na receita, mas precisa ser removido antes de o biscoito chegar à prateleira, apurou a Metrópoles.

Pode ficar tranquilo: é falso. A Anvisa confirmou que biscoitos recheados são feitos com farinha, açúcar, gordura, óleo, sal, fermentos, emulsificantes e aromas, nenhum deles derivado de petróleo. O hexano citado nos vídeos é usado só para extrair o óleo vegetal na indústria e precisa ser eliminado antes de virar alimento.

Ver o vídeo de @antonio.kraychete no TikTok
Um dos vídeos que espalhou a dúvida: "Biscoito Oreo com ingredientes derivados de petróleo?", com mais de 877 mil visualizações. Reprodução/TikTok (@antonio.kraychete)

Como o boato do biscoito recheado com petróleo viralizou no Brasil

Se você recebeu um vídeo dizendo que o Oreo tem petróleo na receita, não foi só você: a alegação tomou conta do TikTok, do Instagram e do WhatsApp ainda na primeira quinzena de setembro de 2026, misturando trechos de ficha técnica industrial com o pacote que está na prateleira do mercado, segundo o levantamento da agência de checagem Lupa, publicado em 14 de setembro.

O tema pegou tração rápido: ao menos 15 veículos brasileiros repercutiram a nota até 17 de setembro, incluindo grandes portais e emissoras de rádio, e a busca "biscoito recheado tem petróleo" entrou em alta no Google no mesmo período. A escala do compartilhamento foi o que levou a Anvisa a se manifestar publicamente sobre o assunto.

O que a Anvisa respondeu sobre o biscoito recheado

Na nota oficial, a Anvisa classificou a informação como falsa e detalhou os ingredientes que efetivamente compõem um biscoito recheado industrializado: farinha, açúcar, gordura, óleo, sal, fermentos, emulsificantes e aromas. Segundo a agência, nenhum dos componentes declarados na embalagem é derivado de petróleo.

Em trecho reproduzido pela Capital News, a Anvisa afirma: "é falso afirmar que o produto contém petróleo apenas porque uma substância como o hexano pode ser utilizada em determinada etapa da cadeia produtiva". A agência reforça que processo de fabricação e receita final são coisas diferentes.

Por que as pessoas estão dizendo que biscoito recheado tem petróleo?

A confusão tem origem técnica: o hexano é de fato um solvente derivado do petróleo, e aparece em documentos regulatórios sobre a extração de óleos vegetais, como o de soja e o de palma, usados na produção de biscoitos. Quando esse dado circulou fora de contexto nas redes, deu a impressão de que o petróleo estaria na receita final, o que não é o caso.

Vídeos curtos, sem checagem, transformaram um detalhe do processo industrial em acusação direta contra marcas específicas. O algoritmo das plataformas amplificou o conteúdo por causa do apelo alarmista, e a informação chegou a milhões de pessoas antes de qualquer verificação oficial aparecer nos mesmos feeds.

Vídeo do TikTok afirma que a Oreo está entre os biscoitos com derivados de petróleo
"A Oreo está...": o criador de conteúdo nomeia a marca direto no vídeo que viralizou. Reprodução/TikTok (@antonio.kraychete)
Cena do vídeo viral: biscoito recheado tem petroleo
Outro momento do vídeo que viralizou. Reprodução/TikTok (@7331911430700188714).
Cena do vídeo viral: biscoito recheado tem petroleo
Mais uma cena do vídeo. Reprodução/TikTok (@7331911430700188714).

O papel real do hexano na fabricação do óleo do biscoito

De acordo com a nota da Anvisa reproduzida pela Rádio Gov, "o hexano pode ser utilizado como coadjuvante de tecnologia na extração e no processamento de óleos e gorduras". Na prática, é um ajudante temporário: ele separa o óleo da semente, como a de soja, de forma mais eficiente dentro da fábrica, e some de cena assim que cumpre a função.

Depois de cumprir essa função, o hexano precisa ser eliminado antes de virar alimento: a legislação brasileira, pela Instrução Normativa 211/2023, permite apenas traços residuais dentro de limites considerados seguros. Por não integrar a receita final, ele não é listado entre os ingredientes na embalagem.

O hexano que sobra no óleo do biscoito recheado faz mal à saúde?

Segundo a Anvisa, os níveis residuais de hexano permitidos em óleos vegetais no Brasil seguem parâmetros de segurança já usados por agências regulatórias de outros países, e ficam muito abaixo do que representaria risco à saúde. A substância é classificada oficialmente como coadjuvante de tecnologia, não como ingrediente.

A fabricante do Oreo, a Mondelez, também se manifestou à Lupa afirmando que o hexano usado na cadeia produtiva "é removido" e "não é ingrediente do biscoito". A explicação da empresa é consistente com o que a Anvisa descreve para o setor como um todo, não apenas para essa marca.

Cena do vídeo viral: biscoito recheado tem petroleo
O vídeo, segundos depois. Reprodução/TikTok (@7331911430700188714).
Página oficial da Anvisa no portal gov.br, órgão responsável por esclarecer o boato do biscoito recheado com petróleo
O esclarecimento sobre o biscoito recheado foi publicado no canal oficial da Anvisa. Reprodução/gov.br (Anvisa)
Vídeo do TikTok explica o que é o hexano citado no boato do biscoito recheado
"Um solvente de...": o vídeo tenta explicar o hexano, mas o corte fora de contexto foi o que espalhou o boato. Reprodução/TikTok (@antonio.kraychete)

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Foi falta de contexto, não mentira, e o boato pode continuar rodando no zap

Nenhuma das apurações identificou com precisão o vídeo ou o perfil que deu início ao boato, e a nota da Anvisa não cita nominalmente nenhuma marca como alvo, tratando o tema em nível de categoria de produto. Por isso, a Lupa classificou o conteúdo como falta de contexto, e não simplesmente como mentira: o hexano de fato existe na cadeia produtiva, só não está no biscoito pronto.

Fica em aberto, ainda, por quanto tempo o boato deve continuar circulando nas redes mesmo depois do desmentido oficial, um padrão já visto em outras ondas de desinformação sobre alimentos no Brasil. A recomendação de agências de checagem é sempre buscar a fonte regulatória antes de deixar de consumir um produto por causa de um vídeo.

Anvisa confirma: biscoito recheado não tem petróleo entre os ingredientes

Passada a onda de vídeos, o quadro está claro: a lista de ingredientes de um biscoito recheado industrializado não inclui petróleo, e o hexano mencionado nos vídeos pertence a uma etapa da fabricação do óleo vegetal, não à receita final vendida ao consumidor. A Anvisa, a Lupa e a fabricante do Oreo convergem nesse ponto.

Você costuma conferir a fonte oficial antes de parar de comprar um produto por causa de um vídeo que viralizou nas redes?

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