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Ele nasceu em 1916, foi indicado três vezes ao Oscar sem nunca vencer, atuou em mais de 90 filmes e morreu aos 103 anos, mas o filho dele guarda em casa o Oscar que o pai nunca ganhou

Um dos últimos nomes da era de ouro de Hollywood chegou a três indicações ao Oscar e nunca levou a estatueta para casa. Ele morreu em fevereiro de 2020, aos 103 anos completos.

Ator que viveu até os 103 anos em retrato de estúdio dos anos 1950, de terno de tweed e gravata escura

Retrato de divulgação de estúdio, feito nos anos 1950, no auge da carreira do ator. Foto: Fotógrafo não identificado/Wikimedia Commons (domínio público).

Ele nasceu Issur Danielovitch, filho de imigrantes judeus que fugiram de um vilarejo na Bielorrússia e chegaram aos Estados Unidos sem dinheiro nenhum. Décadas depois, sob o nome artístico Kirk Douglas, esse menino pobre de Amsterdam, uma cidadezinha do estado de Nova York, virou um dos rostos mais lembrados do cinema americano.

Segundo reportagem do Terra publicada em 20 de setembro, Kirk Douglas acumulou mais de 90 filmes em cerca de 60 anos de carreira e morreu em 5 de fevereiro de 2020, aos 103 anos, sendo tratado pela imprensa da época como um dos últimos sobreviventes da chamada era de ouro de Hollywood.

Kirk Douglas viveu 103 anos, foi indicado três vezes ao Oscar de melhor ator (por Champion, O Ídolo das Multidões e Sede de Viver) e nunca venceu nenhuma delas. Recebeu apenas um Oscar honorário, em 1996, pelo conjunto da carreira, enquanto o filho, Michael Douglas, já tem duas estatuetas competitivas em casa.

Ele fez mais de 90 filmes ao longo de quase seis décadas, do fim dos anos 1940 até o início dos anos 2000, foi indicado três vezes ao Oscar de melhor ator e nunca venceu nenhuma, e só recebeu a estatueta em 1996, quando a Academia decidiu premiar o conjunto de toda a sua carreira

O resumo cabe numa frase, mas a trajetória levou décadas para se construir. Kirk Douglas estreou no cinema em 1946, em O Estranho Amor de Marta Ivers, depois de ser indicado por Lauren Bacall ao produtor Hal B. Wallis.

Dali em diante, ele emendou papéis de vilão, herói e anti-herói em Hollywood, quase sempre com aquele queixo partido e o olhar duro que viraram sua marca registrada nas telas.

A carreira começou tarde, aos 29 anos, depois de infância pobre e passagem pela Marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial

Antes de virar astro, Kirk Douglas cresceu em situação de pobreza extrema em Amsterdam, no interior de Nova York, e chegou a vender refrigerantes na rua para ajudar em casa. Conseguiu bolsa para estudar interpretação na American Academy of Dramatic Arts, em Nova York.

A carreira foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial: ele serviu na Marinha dos Estados Unidos entre 1941 e 1944, e só voltou a atuar profissionalmente depois de dispensado por ferimentos sofridos em serviço.

Quantas vezes o ator foi indicado ao Oscar e por quais filmes?

A primeira indicação veio em 1949, por Champion, no qual ele interpretava um boxeador ambicioso e sem escrúpulos. A segunda chegou em 1952, por O Ídolo das Multidões (The Bad and the Beautiful), como um produtor de cinema implacável.

A terceira e última indicação foi em 1956, por Sede de Viver (Lust for Life), vivendo o pintor holandês Vincent van Gogh, um dos papéis mais lembrados da carreira dele.

Cena do filme O Ídolo das Multidões, um dos três longas que renderam indicação ao Oscar para o ator que viveu até os 103 anos
Cena de O Ídolo das Multidões (1952), o segundo filme que rendeu indicação ao Oscar a Kirk Douglas. Foto: MGM Studios/Wikimedia Commons (domínio público).

Ele nunca venceu o Oscar competitivo e só recebeu a estatueta honorária 40 anos depois da última indicação

Nas três vezes em que concorreu, Kirk Douglas saiu de mãos vazias da cerimônia. Só em 1996 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas resolveu corrigir essa lacuna, entregando a ele um Oscar honorário.

A premiação reconheceu, segundo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, cerca de 50 anos de trabalho como força moral e criativa na indústria do cinema, e não um filme específico, como costuma acontecer nas categorias competitivas.

Fora das telonas, ele foi produtor e ajudou a acabar com a lista negra do macarthismo em Hollywood

Kirk Douglas não ficou só na frente das câmeras. Criou a própria produtora, a Bryna Productions, em 1955, e usou o peso do nome para bancar projetos que estúdios tradicionais evitavam.

Um deles foi Spartácus (1960), em que ele deu crédito oficial ao roteirista Dalton Trumbo, banido de Hollywood por suspeita de ligação com o comunismo, um gesto lembrado até hoje como um dos que ajudaram a derrubar a lista negra do macarthismo no cinema americano.

O que o filho fez com o Oscar que o pai nunca ganhou?

O filho mais velho de Kirk Douglas, Michael Douglas, seguiu carreira no cinema e conquistou o que o pai nunca tinha conseguido: um Oscar competitivo.

Michael venceu como produtor de Um Estranho no Ninho, eleito melhor filme em 1976, e mais tarde levou o Oscar de melhor ator por Wall Street: Poder e Cobiça, em 1987, interpretando o especulador Gordon Gekko.

Michael Douglas, filho do ator que viveu até os 103 anos, em foto recente ao lado de um amigo
Michael Douglas, filho de Kirk Douglas, em evento beneficente. Foto: GeorgeCaulfield/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A dinastia Douglas não parou em Michael: um neto também seguiu para o cinema

Cameron Douglas, filho de Michael e neto de Kirk, também tentou carreira como ator, com pequenos papéis no cinema americano nos anos 2000.

A trajetória dele, porém, foi marcada por prisões relacionadas a drogas, e Cameron ficou mais conhecido pelas passagens pela Justiça americana do que pelos filmes, um contraste duro com o avô centenário e o pai premiado.

Um detalhe que a maioria dos resumos da carreira dele deixa de fora

Boa parte do que se sabe sobre a infância pobre de Kirk Douglas vem da autobiografia que ele mesmo escreveu, "The Ragman's Son", publicada em 1988, o que significa que alguns detalhes de memória pessoal não têm como ser checados em documento oficial.

Já os números de carreira estão registrados nos arquivos da Academia: as três indicações ao Oscar, o Oscar honorário de 1996 e a morte em 2020 aos 103 anos.

Esses dados foram noticiados por veículos como o próprio Terra, o que dá segurança ao que há de mais central na história.

Hoje, o legado do ator segue vivo em festivais, calçadas da fama e na carreira do filho

Kirk Douglas recebeu estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 1960 e, mesmo décadas depois de deixar de atuar com frequência, seguiu sendo citado como referência em listas de maiores atores do século 20.

Michael Douglas, hoje com mais de 80 anos, segue ativo no cinema e na televisão, mantendo viva a ligação da família com Hollywood que começou com o pai imigrante que chegou aos Estados Unidos sem nada.

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Kirk Douglas viveu praticamente todo o século 20 e ainda pegou duas décadas do século 21, atravessando a era do cinema mudo até a dos blockbusters digitais sem nunca sair de cena de vez.

Para saber mais sobre outras histórias de gente que chegou aos noventa ou cem anos ainda ativa, veja o caso de Eric Edwards, o funcionário de 91 anos que não falta um dia sequer no McDonald's e o de Carolina Herrera desfilando de salto aos 87 anos.

Já a passagem de uma senhora de 89 anos socorrida por desconhecidos na Linha Vermelha mostra o outro lado da longevidade, quando ela vem acompanhada de fragilidade. Para quem gosta de bastidor de dinastia de Hollywood, vale conferir também o desabafo recente do ex-astro mirim de Malcolm.

Para quem cresceu vendo os filmes de Kirk Douglas na TV ou redescobriu a carreira dele agora, pela ligação com o filho Michael, fica a pergunta: você acha mais impressionante um ator viver até os 103 anos ou nunca vencer um Oscar competitivo mesmo com uma carreira dessas? Deixe sua opinião nos comentários.

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