Em Singapura, o ar-condicionado nunca fica ligado a noite toda, e o truque de uma hora a 25 graus muda o tanto que a família paga na conta de luz de casa
Uma publicação de 20 de setembro de 2026 mostra a rotina que autoridades de Singapura recomendam para dormir no calor sem deixar o compressor trabalhando até de manhã.
Conjunto residencial em Singapura ao entardecer, o tipo de apartamento onde a orientação de resfriar o quarto por uma hora é mais usada. Foto: Banej/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Uma publicação de 20 de setembro de 2026 mostra a rotina usada em Singapura para dormir sem deixar o ar-condicionado ligado a noite toda: a orientação é resfriar o quarto por cerca de uma hora a 25°C e só depois trocar para o ventilador até o amanhecer, o que muda a conta de luz
Em Singapura, país tropical com calor e umidade parecidos com os do Brasil o ano inteiro, a orientação que circula entre autoridades locais é direta. Não é preciso deixar o ar-condicionado ligado a noite toda para dormir fresco. A recomendação é resfriar o quarto por cerca de uma hora, a 25°C, e só depois desligar o aparelho.
A informação foi publicada pelo Catraca Livre, em reportagem assinada por Joaquim Luppi Fernandes. Ela atribui a estimativa de economia à National Environment Agency de Singapura, o órgão que cuida da política ambiental do país. O ar-condicionado faz o trabalho pesado de baixar a temperatura, e o ventilador só mantém o ar em movimento depois.
Segundo a reportagem, resfriar o quarto por cerca de uma hora a 25°C e depois trocar para o ventilador gera uma economia média relatada de 23% nas despesas de energia, na comparação com deixar o ar-condicionado ligado a noite inteira.
O número vem de uma reportagem brasileira que cita a agência ambiental de Singapura, não de um estudo com metodologia aberta publicada. Por isso vale como estimativa, não como medição exata para qualquer casa.
Como funciona a lógica por trás do ar-condicionado desligado de madrugada
O raciocínio é sobre o que consome mais energia dentro de casa. O compressor do ar-condicionado é a peça que de fato resfria o ar, e o motor do ventilador só empurra o ar que já está frio. O compressor é a parte mais pesada do consumo elétrico de qualquer aparelho de ar-condicionado.
Ele fica ligado o tempo todo enquanto o aparelho trabalha para baixar ou manter a temperatura do quarto. Um ventilador de teto ou de mesa não resfria o ar, mas cria uma sensação de temperatura mais baixa na pele, porque acelera a evaporação do suor de quem está dormindo.
Na prática, um quarto a 25°C com o ventilador ligado costuma parecer alguns graus mais fresco do que a mesma temperatura com o ar parado. É isso que permite desligar o compressor sem perder o conforto pelo resto da noite.
Por que a recomendação é 25 graus e não uma temperatura mais baixa?
A escolha dos 25°C não é aleatória. Segundo o movimento oficial Go 25, lançado pelo Ministério da Sustentabilidade e do Ambiente de Singapura, manter o termostato em 25°C ou próximo disso é o meio-termo entre conforto e consumo consciente de energia em prédios, escritórios e casas.
O movimento teve o lançamento oficializado em 16 de maio de 2025, com apoio do Conselho de Construção Verde do país. A meta é combater o hábito de esfriar ambientes muito mais do que o necessário nas casas e nos escritórios de Singapura.
Pesquisa citada pelo próprio governo de Singapura, feita com o Ngee Ann Polytechnic, apontou uma economia de energia de até 12% para cada grau a mais no termostato, subindo de 23°C para 25°C em ambientes com ar-condicionado. É esse tipo de conta que sustenta a orientação de resfriar o quarto e depois trocar para o ventilador.
O papel do ventilador depois que o quarto já esfriou
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Depois da primeira hora com o ar-condicionado, o ventilador entra como o aparelho que segura o conforto pelo resto da noite. Ele não bloqueia o calor que ainda pode entrar pelas paredes ou pela janela, mas mantém o ar circulando, o que evita aquela sensação de quarto abafado que aparece quando o ambiente fica parado.
A orientação prática que acompanha a recomendação inclui manter portas e janelas fechadas durante a hora de resfriamento, para o frio não escapar, e posicionar o ventilador de um jeito que a corrente de ar circule pelo quarto sem bater direto e o tempo todo no corpo de quem está dormindo.
Esse mesmo truque de Singapura funciona numa casa no Brasil?
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A lógica por trás da rotina não é exclusiva de Singapura. Qualquer casa onde o compressor do ar-condicionado é o maior consumidor de energia se beneficia de reduzir as horas em que ele fica ligado. O Brasil tem clima quente parecido em boa parte do território, principalmente no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste.
Dormir com ar-condicionado a noite toda também é comum nessas regiões. O que muda de um país para o outro é o tanto que se economiza, e isso depende da eficiência do aparelho, do isolamento térmico da casa e da umidade do ar.
A tarifa de energia cobrada por cada distribuidora também varia bastante entre estados brasileiros. Por isso, o percentual relatado em Singapura serve como referência, não como garantia do que vai acontecer na conta de luz de qualquer família.
Quanto isso pode significar na conta de luz, em reais
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Para dar uma ideia em reais, vale um exemplo hipotético. Se o ar-condicionado do quarto representa cerca de R$ 180 por mês na conta de luz, um valor plausível para quem dorme com o aparelho ligado todas as noites numa cidade quente, a conta muda com a rotina de Singapura.
Aplicar a mesma redução de 23% relatada por lá resultaria numa economia estimada de pouco mais de R$ 41 por mês, sempre lembrando que é só um exemplo, não um cálculo fechado para a sua casa.
É só uma conta de referência, não uma promessa: o gasto real do seu aparelho depende da potência dele, de quantas horas ele fica ligado e da tarifa da sua distribuidora, que no Brasil variou entre cerca de R$ 0,41 e mais de R$ 1,40 por kWh em 2025, segundo levantamentos com base em dados da Aneel.
| Rotina do ar-condicionado | Gasto mensal estimado | Economia estimada |
|---|---|---|
| Ligado a noite toda | R$ 180,00 | - |
| Resfria 1h a 25°C e depois usa ventilador | R$ 138,60 | ≈ R$ 41,40 |
O que a agência de Singapura já registrou com essa mudança de hábito
A National Environment Agency de Singapura acompanha o consumo de energia residencial no país há anos. O movimento Go 25 nasceu justamente para combater o hábito de manter ambientes muito mais frios do que o necessário em casas, escritórios e prédios públicos.
Segundo o próprio governo, alternativas como o uso de ventiladores, roupas mais leves e o ajuste do termostato para cima de 25°C fazem parte do mesmo pacote de recomendações. É dentro desse pacote que a rotina de resfriar o quarto por uma hora e depois desligar o compressor se encaixa.
O detalhe que muda a conta entre Singapura e o Brasil
Vale um freio de mão aqui. A economia de 23% relatada não vem de um estudo científico publicado com metodologia detalhada, e sim de uma estimativa atribuída à agência ambiental de Singapura. Nenhum número aqui deve ser lido como garantia do que vai acontecer na conta de luz de uma casa específica.
No Brasil, a umidade mais alta em algumas regiões e o isolamento térmico mais fraco de boa parte das construções fazem o resultado variar bastante de família para família. A diferença de tarifa entre distribuidoras também pesa nessa conta.
O truque tende a funcionar melhor em quartos pequenos, bem vedados e com ventilador de boa vazão de ar, o que já ajuda quem quiser testar a rotina em casa.
Menos hora de compressor ligado, mesmo conforto para dormir
A orientação de Singapura não pede que ninguém durma no calor. Ela só reorganiza o momento em que o aparelho mais caro da conta de luz fica ligado: uma hora de ar-condicionado bem cedo, a 25°C, e o resto da noite por conta de um ventilador que custa muito menos para funcionar.
Você dorme com o ar-condicionado ligado a noite toda ou já usa algum truque parecido com esse para economizar na conta de luz? Deixe sua opinião nos comentários.



