Quais sinais de deslizamento exigem sair de casa durante chuva prolongada? Porta que emperra, rachadura nova, poste inclinado e água barrenta pedem saída imediata e telefonema ao 199, e o Cemaden mantém risco moderado de deslizamento em Minas, Rio, Espírito Santo e Paraná neste domingo
Chuva prolongada encharca a encosta aos poucos, e a Defesa Civil lista sinais que aparecem na casa e no terreno antes de ela ceder: porta que emperra de repente, rachadura nova, poste que entorta. Neste domingo, o Cemaden vê risco de deslizamento em sete regiões de quatro estados.
Encosta que cedeu sobre uma rua da Praia Vermelha do Sul, em Ubatuba (SP), em 19 de fevereiro de 2023. Foto: Defesa Civil de Ubatuba, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada.
Rachadura nova, porta ou janela que emperra, poste, muro ou árvore inclinados e água mais barrenta que o normal são sinais de deslizamento. Diante de qualquer um, a Defesa Civil manda deixar o local na hora e ligar para o 199, segundo a página sobre deslizamentos da Defesa Civil de Taió (SC).
Os sinais de deslizamento que a Defesa Civil manda observar
A página lista avisos em seis grupos. Dentro de casa: portas ou janelas que empenam ou emperram, e rachaduras novas no reboco, no concreto, nos tijolos e nas fundações (ou antigas que se alargam).
Do lado de fora: paredes externas e calçadas que se afastam do prédio, inclinação de cercas, muros, postes e árvores, e água ou protuberâncias na base da encosta.
O sexto grupo é o som: ruídos incomuns, como árvores quebrando, podem indicar que o terreno está se movendo.
Dentro de casa: o que muda na porta e na parede
A casa costuma ser o primeiro lugar onde alguém repara. Uma porta que sempre fechou bem e passa a prender, uma janela que empena, uma trinca que não existia ou uma trinca velha que cresceu entram na lista da Defesa Civil.
Também conta a parede de fora que parece se descolar do prédio, ou a calçada que abre uma fresta junto da casa.
Do lado de fora: poste, muro, árvore e a água do barranco
No terreno, a Defesa Civil pede para olhar se cercas, muros, postes e árvores estão inclinados de um jeito anormal, se há trincas ou saliências no chão e se a água aparece mais barrenta que o normal, por vazamento ou infiltração. Água e protuberâncias na base da encosta também estão na lista.
Viu um desses sinais: o que fazer na hora
A instrução é direta: diante de fendas e rachaduras nas paredes ou de qualquer sinal de deslizamento, abandone o local imediatamente e procure abrigo fora da área de risco. Depois, informe a Defesa Civil pelo 199.
Ordem de evacuação não se discute. A Defesa Civil de Taió escreve que ela nunca deve ser ignorada.
O que não fazer durante o deslizamento
A mesma página pede para ficar alerta e acordado, porque muitas mortes por deslizamento de terra acontecem enquanto as pessoas dormem. Também manda ouvir as notícias locais e nunca atravessar via com água ou lama de deslizamento fluindo, nem ponte quando um fluxo de deslizamento se aproxima.
Onde o Cemaden vê risco de deslizamento neste domingo
No boletim de 3 de outubro para domingo, 4, o Cemaden considera moderada a possibilidade de deslizamentos em sete regiões intermediárias de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná. O mapa vale para ao menos um município de cada região, e não para todas as cidades dela.
| Estado | Regiões Geográficas Intermediárias | Por que o Cemaden aponta risco |
|---|---|---|
| Minas Gerais | Belo Horizonte, Barbacena e Juiz de Fora | Chuva fraca, mas o acumulado de 3 de outubro ainda pode soltar encostas muito suscetíveis |
| Rio de Janeiro | Petrópolis | O mesmo risco remanescente do acumulado de sábado |
| Espírito Santo | Vitória e Cachoeiro de Itapemirim | O mesmo risco remanescente do acumulado de sábado |
| Paraná | Cascavel | Previsão de chuva moderada a forte o dia todo, com possibilidade de altos acumulados |
Risco geológico MODERADO para domingo, 4 de outubro de 2026. Arte: Watts & Wild, com dados do boletim do Cemaden publicado em 3 de outubro.
Por que o risco continua com chuva mais fraca
Em Minas, no Rio e no Espírito Santo, o Cemaden reconhece que a previsão melhorou em relação aos dias anteriores e que a chuva deve ser fraca. Mesmo assim mantém o risco remanescente, porque o acumulado de sábado, 3, pode bastar para soltar encostas com alta suscetibilidade, em deslizamentos pontuais.
Quem mora nesses locais e leu sobre a chuva do fim de semana e o risco de enxurrada no Rio e em Minas já viu o desenho desse cenário: a água de sábado ainda está no solo.
O que deixa a encosta mais frágil
A Defesa Civil de Taió aponta as causas das áreas de risco: construções irregulares nas encostas, cortes e aterros incompatíveis com o terreno, lixo acumulado nas partes altas, desmatamento e caminhos da água obstruídos. Para quem tem terreno em declive, a orientação é plantar grama e capim, que seguram o solo com as raízes.
Árvores grandes, como bananeira, mangueira, mamoeiro e abacateiro, acumulam muita água no solo e podem favorecer deslizamentos, segundo a mesma página.
Aviso do Cemaden não é ordem para sair de casa
O boletim fala em possibilidade de ocorrência numa região, e a decisão de evacuar cabe à Defesa Civil local. Em dia de tempestade forte, vale conferir também o aviso vermelho para Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Depois que a água baixa, entram o que salvar e o que jogar fora na comida e o que fazer com cobra em casa.
Viu um deslizamento? O Cemaden quer saber
O boletim traz um convite: registrar no questionário do centro qualquer ocorrência de movimento de massa ou de inundação no município, mesmo pequena, porque isso ajuda a avaliar a qualidade dos alertas. O endereço está no fim da página do boletim.
Fontes: Cemaden, Previsão de Riscos Geo-Hidrológicos para o dia 04/10/2026, publicada em 3 de outubro de 2026. Cemaden, página de riscos geo-hidrológicos. Defesa Civil de Taió (SC), Deslizamentos.



