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Islândia registra rajada de 205 km/h após restos de furacão virarem ciclone extratropical

Se você acompanha o tempo na Islândia, a passagem de um ciclone extratropical em 14 de outubro de 2026 mostra por que o fim de um furacão não encerra necessariamente o perigo: uma rajada chegou a 205 km/h perto do vulcão Eyjafjallajökull, no sul do país.

Imagem de divulgação: Islândia registra rajada de 205 km/h após restos de furacão virarem ciclone extratropical

Imagem: Divulgação/NASA. Origem: science.nasa.gov.

O sistema se desenvolveu no Atlântico Norte a partir dos remanescentes do furacão Isaias, segundo a NASA Earth Observatory.

O que aconteceu foi uma transformação do sistema meteorológico, acompanhada de rápida intensificação. Isso importa porque a mudança para “extratropical” descreve sua estrutura e fonte de energia, não uma garantia de enfraquecimento. A NOAA explica que esses ciclones aproveitam contrastes de temperatura entre massas de ar, enquanto os tropicais dependem principalmente da energia liberada pela condensação do ar quente e úmido.

Para você que mora na região ou planeja uma viagem, a consequência prática é acompanhar os alertas de vento e as condições de transporte mesmo quando a palavra “furacão” desaparece dos boletins. Neste episódio, os efeitos chegaram à Escócia, onde houve cancelamentos de travessias de ferry.

Como os remanescentes de Isaias chegaram à Islândia

Isaias atingiu a Flórida em 9 de outubro como furacão de categoria 2. Depois de provocar chuva e vento na costa americana do Golfo e precipitação em áreas da costa leste dos Estados Unidos, seus remanescentes seguiram para o Atlântico Norte.

Transportado para leste pela corrente de jato, o sistema se desenvolveu como um ciclone extratropical. Na tarde de 14 de outubro, o instrumento VIIRS, a bordo do satélite NOAA-21, registrou sua passagem junto à Islândia.

Esses sistemas de baixa pressão frequentemente apresentam nuvens assimétricas, com formato semelhante ao de uma vírgula. Podem produzir ventos com força de furacão, chuva e condições de neve intensa.

Deixar de ser um furacão não significa deixar de ser uma tempestade perigosa. No caso observado, o sistema voltou a ganhar intensidade durante a travessia do oceano.

A pressão caiu mais de 50 hPa em 24 horas

Durante o deslocamento, a pressão atmosférica do sistema caiu mais de 50 hectopascais em 24 horas, conforme os relatos reunidos pela NASA. Essa queda rápida caracteriza um processo de intensificação conhecido como ciclogênese explosiva, também chamado de bombogênese.

A palavra pode soar alarmante, mas tem um significado meteorológico específico. Segundo a NOAA, na latitude de 60 graus, a referência é uma redução de pelo menos 24 hPa em 24 horas. O critério varia conforme a latitude.

O valor relatado para esse ciclone supera o dobro dessa referência. A comparação ajuda a dimensionar a velocidade da intensificação, mas não significa que os danos ou os ventos tenham sido “duas vezes maiores”.

Alguns meteorologistas também consideraram possível um novo recorde de baixa pressão para outubro na Islândia, após a correção das medições para a altitude. A marca anterior citada era de 1963.

A possibilidade de recorde não equivale a uma confirmação oficial. A publicação apresenta essa avaliação como preliminar.

Rajada de 205 km/h não foi vento constante em todo o país

Você sabe a diferença entre a rajada do título e os ventos sustentados registrados durante a tempestade?

A rajada é um pico de velocidade de curta duração. Já o vento sustentado representa uma média calculada ao longo de um intervalo, conforme as definições do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.

Por isso, os 205 km/h não descrevem um vento constante em toda a Islândia. Esse pico foi registrado perto de Eyjafjallajökull.

Em uma pequena ilha próxima à costa, houve ventos sustentados de 150 km/h. São medições distintas, feitas em locais diferentes, e não devem ser tratadas como equivalentes.

Ventos capazes de causar danos também atingiram o norte do país, onde moradores se prepararam para precipitação invernal e neve. No noroeste da Escócia, rajadas chegaram a 90 km/h em 14 de outubro, com cancelamentos em várias rotas de ferry.

Quadro de serviço: o que se sabe e como acompanhar

A mudança de combustível ajuda a explicar a nova força

O detalhe central dessa trajetória está na maneira como a tempestade obtém energia. Um sistema tropical pode perder suas características originais ao alcançar águas mais frias e encontrar um ambiente com contrastes de temperatura.

Mas essa mudança também pode permitir uma nova fase de intensificação. A NOAA estuda justamente essa transição, que pode terminar tanto na dissipação quanto no desenvolvimento de um ciclone extratropical amplo e potente.

No episódio da Islândia, a imagem de satélite registrou essa segunda etapa da história. O nome do fenômeno havia mudado, mas seus efeitos ainda atravessavam fronteiras: um sistema que atingira a Flórida terminou associado a ventos extremos no Atlântico Norte e interrupções no transporte escocês.

Fonte: science.nasa.gov.

Leia também: Ciclone extratropical, subtropical e tropical: a diferença · Ciclone extratropical fica em alto-mar e agita o mar de SC · Furacão Polo atinge o México após ser categoria 5 duas vezes

Fonte: science.nasa.gov.

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