O Cemaden emitiu 2.505 alertas de risco geo-hidrológico no Brasil em 2025, com o Sudeste concentrando cerca de metade e Manaus, São Paulo e Petrópolis no topo dos municípios mais avisados, segundo relatório do próprio centro
O Cemaden enviou 2.505 alertas de risco geo-hidrológico em 2025, para 1.133 municípios monitorados, segundo relatório do próprio centro de pesquisa. Mais da metade teve origem hidrológica, a Região Sudeste concentrou cerca de metade do total, e Manaus liderou o ranking de municípios que mais receberam avisos.
Bairro de Pelotas (RS) submerso durante a enchente do Rio Grande do Sul em maio de 2024, o tipo de evento hidrológico que respondeu por 56% dos alertas do Cemaden em 2025. Foto: Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas, via Wikimedia Commons, domínio público.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais enviou 2.505 alertas de risco geo-hidrológico no Brasil ao longo de 2025, para 1.133 municípios monitorados. O número está no relatório "Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025", publicado pelo próprio Cemaden em fevereiro de 2026.
Do total, 1.395 alertas (56%) foram de origem hidrológica, ligados a chuva forte, enchente e enxurrada, e 1.110 (44%) de origem geológica, ligados a deslizamento de terra e outros movimentos de massa. A Região Sudeste concentrou cerca de metade dos avisos enviados no ano.
Os 2.505 alertas de 2025 tiveram maioria hidrológica sobre geológica (56% a 44%), com a Região Sudeste concentrando cerca de metade do total, segundo o Cemaden. Manaus, no Amazonas, ficou à frente de todos os municípios do país, com 69 alertas recebidos ao longo do ano.
Os alertas hidrológicos superaram os geológicos em quase todo o ano
Dos 2.505 alertas emitidos em 2025, 1.395 trataram de risco hidrológico, categoria que reúne inundação, enchente e enxurrada, segundo o relatório do Cemaden divulgado em fevereiro de 2026.
Os outros 1.110 foram alertas de risco geológico, ligados a deslizamento de terra e a outros movimentos de massa em encostas. A diferença entre os dois tipos foi de 285 alertas ao longo do ano.
A Região Sudeste concentrou metade dos alertas enviados no país
A Região Sudeste concentrou aproximadamente metade dos 2.505 alertas emitidos pelo Cemaden em 2025, aponta o relatório, que atribui a concentração à recorrência de chuvas fortes em áreas densamente urbanizadas e já bastante monitoradas pelo centro.
Entre os municípios que mais receberam alertas no ano estão várias cidades paulistas, fluminenses e mineiras, o que ajuda a explicar por que a região concentrou a maior fatia dos avisos emitidos pelo Cemaden em 2025.
Manaus foi o município que mais recebeu alertas do Cemaden em 2025
Manaus, no Amazonas, liderou o ranking de municípios com 69 alertas recebidos em 2025, o maior número do país, de acordo com o levantamento do Cemaden. São Paulo apareceu em segundo lugar, com 49 alertas no ano.
Petrópolis, no Rio de Janeiro, teve o terceiro maior número, com 30 alertas, seguida por Juiz de Fora, em Minas Gerais, com 24, e Ubatuba, no litoral paulista, com 23 alertas ao longo do ano.
Outras 14 cidades completam o topo do ranking de alertas em 2025
São José dos Campos (SP) somou 22 alertas, e Santo André (SP) e Salvador (BA) empataram com 21 cada uma, segundo a lista de 19 municípios divulgada pelo Cemaden na Figura 18 do relatório.
Porto Alegre (RS), Teresópolis (RJ) e São Luís (MA) tiveram 19 alertas cada, enquanto Rio de Janeiro (RJ), Nova Friburgo (RJ) e Jaboatão dos Guararapes (PE) somaram 18 alertas ao longo do ano.
Belo Horizonte, Campo Grande e Guarulhos fecham a lista dos mais avisados
Belo Horizonte (MG), São Sebastião (SP), Campo Grande (MS), Cabo de Santo Agostinho (PE) e Guarulhos (SP) fecham o ranking divulgado pelo Cemaden, todos com 17 alertas cada um em 2025.
A lista de 19 posições reúne cidades de sete estados diferentes: além de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, aparecem municípios do Amazonas, da Bahia, do Rio Grande do Sul, do Maranhão, de Pernambuco e do Mato Grosso do Sul.
A maior parte dos alertas teve severidade moderada, não alta
Do total de 2.505 alertas, 2.212 (88%) foram classificados como moderados, nível que indica acompanhamento contínuo sem expectativa imediata de dano generalizado, segundo a escala usada pelo Cemaden.
Outros 269 alertas foram de nível alto, e 24 de nível muito alto, o mais grave da escala do centro, reservado a cenários com maior chance de dano severo à população e à infraestrutura urbana.
2025 teve bem menos alertas do que o recorde batido em 2024
O total de 2025 ficou 30,8% abaixo dos 3.620 alertas emitidos em 2024, o maior número já registrado pelo Cemaden desde o início da série histórica, em 2011.
O relatório associa a queda à ausência de El Niño ou La Niña de forte intensidade em 2025, diferente de 2023 e 2024, marcados por eventos climáticos extremos ligados ao El Niño em boa parte do país.
Por que um alerta não é a mesma coisa que um desastre confirmado?
Um alerta do Cemaden é um aviso preventivo enviado à Defesa Civil de um município quando as condições monitoradas indicam risco de chuva forte, enchente ou deslizamento, antes de o evento acontecer de fato.
Isso é diferente de uma ocorrência, o registro de um evento que realmente aconteceu. Em 2025, o Cemaden registrou 1.493 ocorrências, número menor que o de alertas, porque nem todo aviso preventivo termina em desastre confirmado.
O Cemaden monitora hoje 1.133 dos municípios mais vulneráveis do país
O Cemaden monitora atualmente 1.133 municípios considerados prioritários para risco geo-hidrológico, segundo o relatório. O órgão é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e mantém o serviço de alerta desde 2011.
O centro atua de forma complementar ao Inmet: enquanto o instituto de meteorologia emite avisos como o alerta vermelho enviado ao Sul do Brasil em setembro de 2026, o Cemaden foca no risco geo-hidrológico por município, repassado direto às defesas civis locais.
O que vem a seguir no monitoramento de risco do Cemaden
O próximo balanço anual do Cemaden deve sair em 2027, com os números completos de 2026, ano em que Manaus já aparece na mira do monitoramento de risco hidrológico da Amazônia.
Enquanto isso, o centro segue emitindo alertas diários para os municípios monitorados, repassados às defesas civis locais antes da chegada de cada evento de risco. Sua cidade já recebeu algum alerta do Cemaden? Conte nos comentários.



