Animais e natureza

Acidentes por escorpião notificados no Brasil sobem de 85,7 mil para 243,1 mil em dez anos, segundo o SINAN, com São Paulo no maior aumento em casos e Alagoas na maior taxa por 100 mil habitantes

Notificações de acidente por escorpião no Brasil saltam de 85,7 mil para 243,1 mil em dez anos, segundo o SINAN, com alta nos 27 estados.

As notificações de acidente por escorpião no Brasil passaram de 85.657 em 2015 para 243.127 em 2025, alta de 183,8%, segundo o SINAN. São Paulo teve o maior aumento em número de casos, e Alagoas tem a maior taxa por 100 mil habitantes do país, mostra o cruzamento com dados do IBGE.

Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) fotografado no Brasil, espécie que responde pela maioria dos acidentes por escorpião notificados no SINAN

Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie mais associada aos acidentes por escorpião notificados no Brasil. Foto: Vitor Corrêa Dias/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

Os acidentes por escorpião notificados no Brasil saltaram de 85.657 em 2015 para 243.127 em 2025, alta de 183,8% em dez anos, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O sistema do Ministério da Saúde reúne a notificação de casos nos 27 estados e no Distrito Federal, separadas por tipo de animal peçonhento.

A alta aparece tanto no número absoluto quanto na taxa por 100 mil habitantes, mostra o cruzamento com estimativas de população do IBGE. Em 2015, o país somava 41,9 notificações a cada 100 mil habitantes; em 2025, esse indicador chega a 113,9, mais que o dobro em uma década.

Nenhum dos 27 estados registrou queda: todos tiveram alta tanto em número de casos quanto na taxa por 100 mil habitantes entre 2015 e 2025. São Paulo somou o maior salto absoluto, com 37.755 notificações a mais, e Alagoas fechou 2025 com a maior taxa do país, 466,4 por 100 mil habitantes.

Os acidentes por escorpião crescem bem acima da população brasileira

A população brasileira cresceu 4,4% entre 2015 e 2025, segundo estimativas do IBGE, enquanto as notificações de acidente por escorpião avançaram 183,8% no mesmo período. O descompasso aparece em praticamente todos os estados, não só nos mais populosos.

Bahia e Alagoas, por exemplo, perderam população no período (queda de 2,2% e 3,6%, respectivamente, segundo o IBGE), mas mesmo assim viram as notificações mais que dobrar. O crescimento do registro não se explica só pelo aumento de gente no país.

Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) visto de cima, com o corpo escuro e as pernas e pinças amareladas típicas da espécie
Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) visto de cima: corpo escuro e pernas e pinças amareladas ajudam a identificar a espécie. Foto: Miguel A. Paixão/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

São Paulo soma o maior salto em número absoluto de casos no período

São Paulo concentra o maior aumento absoluto do país: as notificações saltaram de 15.222 em 2015 para 52.977 em 2025, mais 37.755 casos, segundo o SINAN. É o único estado que soma mais de 10 mil notificações a mais na década.

Minas Gerais vem em segundo lugar, com 25.195 casos a mais no mesmo intervalo, seguido pela Bahia, com 17.433. Juntos, os três estados respondem por boa parte do aumento nacional, mas nenhuma das outras 24 unidades ficou de fora da alta.

Alagoas tem a maior taxa de acidentes por escorpião do país em 2025

Alagoas fechou 2025 com 466,4 notificações por 100 mil habitantes, a maior taxa do país, segundo o cruzamento entre SINAN e IBGE. Já em 2015, a taxa alagoana também era a mais alta do Brasil, com 201,0 por 100 mil habitantes.

Minas Gerais aparece em seguida, com 210,4 por 100 mil habitantes em 2025, e a Paraíba soma 216,1. Nos três casos, a taxa mais que dobrou desde 2015, bem acima da média nacional de 113,9.

Distrito Federal registra o maior salto percentual entre os 27 estados

O Distrito Federal teve o maior salto percentual do país: as notificações foram de 532 em 2015 para 4.949 em 2025, alta de 830%, segundo o SINAN. A taxa por 100 mil habitantes seguiu o mesmo caminho, de 18,3 para 165,1.

A base pequena de 2015 ajuda a explicar o salto percentual tão alto: um aumento de poucas centenas de casos já rende uma variação grande quando o ponto de partida é baixo. Mesmo assim, o crescimento também aparece em número absoluto, com 4.417 notificações a mais na década.

Todos os 27 estados brasileiros tiveram alta em casos e em taxa

Nenhuma unidade da federação escapou da tendência: as 27 UFs tiveram alta tanto em número de notificações quanto na taxa por 100 mil habitantes entre 2015 e 2025, aponta o cruzamento de dados do SINAN e do IBGE.

A variação mais baixa em número de casos ficou com o Acre, alta de 35,3%, de 224 para 303 notificações. Ainda assim, é um crescimento bem acima da variação populacional do estado no mesmo período.

Por que o escorpião-amarelo se espalhou tanto pelas cidades brasileiras

O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie de maior interesse médico do país, segundo o Instituto Butantan, e se reproduz sobretudo por partenogênese: as fêmeas geram filhotes sem precisar de macho, o que acelera a colonização de novos ambientes.

A espécie se adapta bem ao ambiente urbano, onde encontra abrigo em entulho, tubulações e ralos, além de fartura de baratas para se alimentar, segundo cartilha do Instituto Butantan sobre controle de escorpiões. Esse conjunto ajuda a explicar por que o aracnídeo prospera justamente onde a cidade cresce sem infraestrutura básica.

Como o SINAN registra cada acidente por escorpião no Brasil

O SINAN é o sistema do Ministério da Saúde que recebe notificação compulsória de acidentes por animais peçonhentos em todo o país, incluindo escorpião, serpente, aranha, lagarta e abelha. Cada caso é registrado por UF de notificação, ano do acidente e tipo de animal.

Os números somam os casos classificados como escorpião nos arquivos de 2015 e de 2025 do TabNet do DataSUS. A taxa por 100 mil habitantes usa a estimativa de população do IBGE para o mesmo ano de cada acidente.

O número do SINAN mede notificação, não o total real de picadas

O SINAN depende de notificação feita pelos serviços de saúde, o que significa que o número reflete o caso atendido e registrado, não necessariamente toda picada ocorrida no país. Parte do aumento também pode vir de melhora na notificação, não só de mais acidentes reais.

Ainda assim, a alta aparece nos 27 estados e em ritmo bem acima do crescimento populacional, o que aponta para uma expansão real do escorpião nas cidades, mesmo descontado o efeito de uma notificação mais completa.

Gráfico de barras comparando notificações de acidente por escorpião em 2015 e 2025 nos oito estados brasileiros com mais casos, segundo o SINAN
Notificações de acidente por escorpião em 2015 e 2025 nos oito estados com mais casos em 2025. Arte: Watts & Wild, com dados do SINAN/DataSUS.

O dado de 2025 ainda pode mudar, alerta o próprio SINAN

O SINAN classifica o registro de 2025 como sujeito a revisão, atualizado pela última vez em 14 de setembro de 2026. O ano de 2026 segue em andamento e por isso não entrou no comparativo, que ficou em 2015 contra 2025, o último ano fechado disponível.

As notas do TabNet mostram que os dados de 2023, 2024 e 2025 já foram atualizados mais de uma vez cada, o mais recente em setembro de 2026, sinal de que o número segue passível de ajuste. Por enquanto, a alta de 183,8% entre 2015 e 2025 é o retrato mais atual disponível no sistema.

O que fazer diante de uma picada de escorpião, segundo o Butantan?

A orientação do Instituto Butantan é lavar o local com água e sabão, fazer compressa morna para aliviar a dor e procurar atendimento médico o quanto antes. Crianças e idosos têm maior risco de complicação e devem ter prioridade no atendimento.

Só o médico decide se é necessário aplicar o soro antiescorpiônico, fabricado pelo próprio Butantan a partir do veneno da espécie. Vale a pena ver também os erros comuns que atraem o escorpião para dentro de casa, segundo o instituto, e como agir diante de outro acidente frequente, a picada de aranha-marrom.

Mesmo sendo a maioria dos acidentes com animais peçonhentos no país, o escorpião não é o que mais mata: essa marca pertence à serpente, mostra o comparativo entre os principais venenos do Brasil. A próxima atualização do SINAN para os dados de 2025 deve sair nos próximos meses.

Você ou alguém da sua família já foi picado por escorpião? Conte como foi nos comentários.

Espaço de anúncio

Mais do Watts & Wild

Mais em Animais e natureza →

O que está bombando, uma vez por dia

Sem spam. Só o que viralizou no Brasil, checado e explicado, direto no seu e-mail.