Eloína dos Leopardos ocupou em 1976 um posto que ainda não existia no carnaval, virou tricampeã pela Beija-Flor e cinquenta anos depois coroou Anitta na Grande Rio
Eloína dos Leopardos coroou Anitta na Grande Rio, 50 anos depois de inaugurar o posto de rainha de bateria na Beija-Flor.
Eloína dos Leopardos entregou a coroa de rainha de bateria a Anitta na Grande Rio. O gesto aconteceu 50 anos depois de sua estreia no posto pela Beija-Flor, em 1976. A trajetória da artista inclui títulos no Carnaval, espetáculos no exterior e reconhecimento de outras escolas pela contribuição ao samba.
Anitta recebe a coroa de rainha de bateria das mãos de Eloína dos Leopardos, na quadra da Grande Rio. Reprodução/X (@choquei).
Eloína dos Leopardos, hoje com 80 anos, subiu ao palco da quadra da Grande Rio, em Duque de Caxias (RJ), no domingo (20) para colocar a coroa de rainha de bateria na cabeça de Anitta. A cena fechou a disputa de samba-enredo da escola para o carnaval de 2027.
Foi a própria Anitta quem escolheu Eloína para o gesto, recusando a passagem tradicional da coroa pela rainha anterior, Virginia Fonseca. Segundo o Portal Bandeirantes, a cantora chamou a convidada de "a travesti que abriu o caminho" para tantas outras reinarem depois dela.
Eloína dos Leopardos é reconhecida pela Beija-Flor de Nilópolis como a primeira rainha de bateria da história do carnaval carioca. Ela ocupou o posto entre 1976 e 1978, período em que a escola venceu três títulos seguidos.
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A trajetória dela começou longe da Sapucaí, nos bastidores do teatro carioca, e só ganhou o centro da avenida quando um carnavalesco decidiu apostar numa mulher trans para um cargo que ainda não tinha nome.
Anitta citou a trajetória de Eloína ao explicar a escolha para a coroação. A cantora relacionou o momento ao legado de artistas que abriram espaço para outras pessoas no Carnaval.
De assistente de guarda-roupa a rainha inventada por Joãosinho Trinta
Nascida no Rio em 1945, Eloína começou a trabalhar nos bastidores do teatro como assistente de guarda-roupa de vedetes, antes de subir ao palco por conta própria. Levou anos até chegar perto do centro de uma avenida de escola de samba.
Em 1976, o carnavalesco Joãosinho Trinta mudou essa história: convidou Eloína para desfilar à frente da bateria da Beija-Flor, num posto que, segundo o Portal Bandeirantes, ainda não existia formalmente. Foi um cargo criado ali, só para ela.
Por que 1976 muda a história do carnaval?
Porque a estreia deu certo, e deu certo do jeito mais visível possível. Com o enredo "Sonhar com Rei Dá Leão", a Beija-Flor conquistou o primeiro título da própria história naquele ano, com Eloína na ponta da bateria.
Ela seguiu no posto em 1977 e 1978, período em que a escola somou o primeiro tricampeonato de Nilópolis. Três títulos seguidos, com a mesma rainha à frente do tambor. A escola trata esse ciclo como o nascimento da função tal como o carnaval a conhece hoje.
Da avenida para os palcos da Europa
A partir dos anos 1980, Eloína produziu A Noite dos Leopardos, espetáculo que chegou à Europa e aos Estados Unidos, segundo a Band. A carreira continuou nos palcos depois dos títulos com a Beija-Flor.
Eloína também participou de Divinas Divas ao lado de Rogéria, Divina Valéria e outras artistas. O espetáculo faz parte de sua trajetória para além dos desfiles das escolas de samba.
O que aconteceu com Eloína depois da Beija-Flor?
Ela nunca se afastou de verdade do carnaval. Em 2025, recebeu homenagem da Paraíso do Tuiuti, escola conhecida por reservar enredos para resgatar histórias apagadas, e seguiu citada como a pioneira do posto de rainha de bateria.
Foi esse histórico que levou Anitta a procurá-la para a coroação de 2026. A cantora quis que a coroa passasse pelas mãos de quem, nas próprias palavras dela, abriu a porta para outras mulheres trans sonharem com o mesmo posto.
Coroação aconteceu durante a final do samba da Grande Rio
O vídeo da coroação mostra Eloína ao lado de Anitta na quadra da Grande Rio. A cerimônia aconteceu em 20 de setembro, durante o evento que também escolheu o samba para o Carnaval de 2027.
Ao convidá-la, Anitta falou do caminho aberto pela pioneira. A cantora destacou a ancestralidade e a própria fé ao receber a coroa das mãos de Eloína.
Paraíso do Tuiuti homenageou Eloína no Carnaval de 2025
Em 2025, Eloína recebeu uma homenagem da Paraíso do Tuiuti. Naquele Carnaval, a escola levou à avenida a história de Xica Manicongo, conforme a trajetória recuperada pela Band.
Em 2026, voltou ao centro de uma celebração do samba para coroar Anitta. O gesto reuniu a artista que inaugurou o posto na Beija-Flor e a nova rainha de bateria da Grande Rio.
Uma coroa que voltou para as mãos certas
Cinquenta anos separam a estreia de Eloína à frente da bateria da Beija-Flor, em 1976, da coroação de Anitta na Grande Rio. Entre os dois momentos estão desfiles, títulos e uma carreira nos palcos.
Quem gosta de bastidor de famosos também acompanha por aqui a brincadeira de Paolla Oliveira e Diogo Nogueira, a estreia de Alane Dias como atriz e a rivalidade entre Sandy e Wanessa Camargo. Você já conhecia a primeira rainha de bateria da história antes desse vídeo? Conta aqui embaixo nos comentários.



