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Vinte e quatro trisais chegam a um encontro em Nova Friburgo esperando um baile de gala e encontram uma cerimônia de casamento simbólico preparada como surpresa pelos organizadores

Encontro em Nova Friburgo reúne 24 trisais e dois casais em uma cerimônia simbólica preparada como surpresa.

Vinte e quatro trisais e dois casais participaram de um casamento simbólico durante um encontro em Nova Friburgo. A celebração foi preparada como surpresa para quem esperava um baile de gala. O evento reuniu participantes de diferentes regiões e marcou os vínculos sem produzir os efeitos de um casamento civil.

Participantes do casamento simbólico em encontro de trisais

Participantes do encontro que teve uma cerimônia de casamento simbólico em Nova Friburgo. Reprodução/g1.

Vinte e quatro trisais, famílias formadas por três pessoas que namoram entre si, foram surpreendidos com um casamento coletivo simbólico durante o 2º Encontro de Trisais do Brasil, realizado entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026 em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro.

Segundo o g1, em reportagem publicada em 20 de setembro de 2026, os organizadores prepararam a cerimônia sem avisar os participantes, que chegaram ao encontro achando que passariam a noite num baile de gala comum.

o casamento é verdadeiro no sentido afetivo, mas não tem nenhum efeito civil ou religioso. Foi uma cerimônia simbólica, pensada para celebrar publicamente relações que a Justiça brasileira não registra, com tapete vermelho, roupa de gala e sessão de fotos de família para cada um dos 24 trios presentes.

A festa vestida de gala escondia outro plano

Os organizadores do Encontro de Trisais do Brasil pediram que todo mundo se arrumasse como se fosse para um baile. Vestido longo, terno, sapato social, o clima era de festa de gala comum.

Quando os 24 trios chegaram ao salão, encontraram uma estrutura montada para outra coisa: uma cerimônia coletiva, com celebrante, tapete vermelho e um roteiro pensado para casar simbolicamente cada trisal ali dentro.

O tapete vermelho e as fotos oficiais substituíram a balada

Em vez da pista de dança que esperavam, os participantes caminharam por um tapete vermelho armado especialmente para a ocasião. Cada trio posou para fotos de família, do jeito que qualquer casal faz depois de um casamento.

As imagens registradas na cerimônia viraram o principal material que circulou depois nas redes e na cobertura de veículos como g1, Terra e NC News.

O celebrante disse que "nenhuma família precisa ser igual para ser família"

No momento central da cerimônia, o celebrante discursou sobre os diferentes formatos de família reunidos ali. A frase que resumiu o evento foi direta.

"Que nenhuma família precise ser igual para ser família. Que nenhum amor precise caber nos padrões dos outros para ser verdadeiro", disse o celebrante durante a cerimônia, segundo o relato publicado pelo g1.

Mão com alianças, símbolo do compromisso celebrado no casamento coletivo de trisais
A cerimônia em Nova Friburgo reproduziu o ritual de um casamento comum, com alianças e votos, mesmo sem valer perante a lei. Foto: Timothy Titus/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A cerimônia não tem nenhum efeito civil ou religioso

Apesar do clima de casamento de verdade, nada do que aconteceu em Nova Friburgo tem validade legal. Não existe registro em cartório, nem qualquer documento que amarre juridicamente os três membros de cada trisal.

A celebração não cria, por si só, os efeitos de um casamento civil. A decisão do CNJ citada no caso trata especificamente da lavratura de escrituras públicas de uniões poliafetivas pelos cartórios.

Por que a lei brasileira barra a união entre três pessoas?

A resposta está numa decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de junho de 2018. O órgão determinou que as corregedorias estaduais orientassem os cartórios do país a não lavrar escritura pública de união estável poliafetiva.

O CNJ delimitou a discussão à atuação dos cartórios, sem decidir sobre a liberdade das pessoas de conviver. A determinação administrativa impede escrituras públicas de união poliafetiva, conforme a decisão divulgada em 26 de junho de 2018.

Sede de tribunal em Brasília, onde a Justiça brasileira decide sobre uniões poliafetivas
Sede do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília: é o Judiciário brasileiro quem hoje barra o registro de uniões entre três pessoas. Foto: Josue Marinho/Wikimedia Commons (CC BY 3.0).

A primeira edição do encontro foi há um ano, em São Paulo

O Encontro de Trisais do Brasil não nasceu em 2026. A primeira edição aconteceu em setembro de 2025, em Pinhalzinho, no interior de São Paulo, segundo o g1.

Um ano depois, o encontro migrou para a região serrana do Rio de Janeiro e ganhou a cerimônia coletiva surpresa como novidade desta edição.

Quem participa do Encontro de Trisais do Brasil?

O encontro reuniu 24 trisais e dois casais não monogâmicos de diferentes regiões do país. Entre os participantes estavam Marcel, Priscila e Regiane Mira, que vivem no interior de São Paulo.

Priscila Mira participou da organização. Ela disse ao g1 que a construção da relação exige dedicação, comparando essa persistência à de casais monogâmicos que continuam juntos por muitos anos.

Antes de chamar de casamento, tem um detalhe que muda tudo

A cerimônia em Nova Friburgo teve alianças, tapete vermelho e discurso de celebrante, mas nenhum papel assinado em cartório. Do ponto de vista jurídico, os 24 trisais continuam exatamente como estavam antes da festa.

Para Renaullt Câmara, de Goiânia, o encontro ofereceu um ambiente de acolhimento e convivência. Ele participou ao lado de Jucimara Almeida e Vanessa Pereira, com quem mantém uma relação há 15 anos.

Situação segue igual: sem registro, mas com mais visibilidade

Jucimara contou que o trio já havia realizado uma celebração simbólica em Goiânia. Para ela, participar da cerimônia em Nova Friburgo foi outra forma de afirmar publicamente a união.

O encontro aconteceu de 10 a 13 de setembro, um ano depois da primeira edição em Pinhalzinho. Você já tinha ouvido falar desse encontro nacional? Deixe sua opinião nos comentários.

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Casamentos e famílias fora do padrão tradicional têm virado assunto recorrente por aqui, como no noivado do filho de Fábio Assunção, no casamento de Ana Hickmann e no relato de Bella Longuinho sobre a própria família.

Na sua opinião, o Brasil deveria mudar a lei para permitir o registro civil de uniões entre três pessoas? Deixe sua opinião nos comentários.

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