Animais e natureza

Enxame de abelha africanizada pode causar dezenas de picadas em poucos minutos, e o Ministério da Saúde e o Corpo de Bombeiros orientam como agir e quando buscar socorro no Brasil

O Ministério da Saúde e o Corpo de Bombeiros explicam quando o ataque de um enxame de abelha africanizada vira emergência médica no Brasil, e como agir.

O Brasil registrou 24,1 mil acidentes com abelhas e 75 mortes entre janeiro e agosto de 2026, segundo o Ministério da Saúde, superando o total do ano anterior. A abelha africanizada, mais defensiva que a europeia, ataca em grupo quando o enxame se sente ameaçado, segundo a Embrapa e o Corpo de Bombeiros.

Colmeia de abelha africanizada instalada no forro de uma casa abandonada, mostrando o tamanho que um enxame pode alcançar

Colmeia de abelha africanizada tomou o forro de uma construção abandonada nos Estados Unidos, exemplo do tamanho que um enxame estabelecido pode atingir. Foto: Kevin Rutherford/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Sim, o ataque de um enxame de abelha africanizada pode virar emergência médica, e os números de 2026 mostram isso. O Brasil somou 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes entre janeiro e agosto, segundo o Painel Epidemiológico de Acidentes com Animais Peçonhentos, do Ministério da Saúde.

O número já supera o total registrado em todo o ano de 2025, quando foram 24.835 ocorrências e 74 óbitos no país inteiro. A maior parte dos casos graves envolve a abelha africanizada (Apis mellifera), híbrida presente em quase todo o território nacional desde a década de 1950.

Segundo a Embrapa, a espécie é mais defensiva que a abelha europeia, porque reage em grupo a qualquer ameaça percebida perto da colônia.

Uma picada dói, dezenas de picadas viram emergência médica

Uma única ferroada de abelha causa dor local e costuma passar sozinha em poucas horas. O problema é o acúmulo: dezenas de picadas na mesma pessoa, em poucos minutos, aumentam rapidamente a quantidade de veneno no organismo.

Segundo o Ministério da Saúde, a letalidade é maior entre idosos, que costumam ter doenças crônicas como hipertensão e insuficiência renal, agravadas pelo efeito de múltiplas ferroadas simultâneas.

Por que a abelha africanizada é mais agressiva que a europeia

A abelha africanizada é uma espécie híbrida, resultado do cruzamento entre abelhas africanas e europeias trazidas ao Brasil na década de 1950. Segundo a Embrapa, ela herdou da linhagem africana a alta defensividade e a maior frequência de enxameação.

Essa defensividade existe para proteger o alimento e a cria armazenados na colmeia contra predadores. Quando um enxame se sente ameaçado, várias operárias picam ao mesmo tempo, o que explica os ataques em grupo.

Abelha africanizada (Apis mellifera scutellata) carregando pólen nas patas em foto de close-up
Abelha africanizada (Apis mellifera scutellata) carrega pólen enquanto forrageia. Foto: Jeffrey W. Lotz/Florida Department of Agriculture and Consumer Services, Bugwood.org via Wikimedia Commons (CC BY 3.0 US).

O que faz o enxame atacar em grupo

Ruído alto, vibração forte e movimentos bruscos perto do ninho costumam disparar o ataque defensivo. Cortador de grama, britadeira e batidas na parede onde a colmeia está instalada são gatilhos comuns relatados em acidentes.

Perfume forte e roupas escuras também aumentam o risco, porque as abelhas identificam esses estímulos como ameaça. Depois da primeira ferroada, um feromônio de alerta é liberado e convoca outras operárias para atacar o mesmo alvo.

Minas Gerais mostra a escala do problema em três anos

Minas Gerais registrou 13.471 acidentes com abelhas entre janeiro de 2023 e março de 2026, com 69 mortes no período, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) repassados ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Só no primeiro trimestre de 2026, o estado somou 869 casos e 4 mortes. A tendência de alta acompanha o padrão observado no restante do país nos últimos anos, segundo a mesma base de dados.

Colmeia de abelha africanizada vista de outro ângulo, presa no canto entre o teto e a parede de uma casa abandonada
A mesma colmeia vista de outro ângulo: o enxame ocupou o canto entre o teto e a parede de uma casa abandonada. Foto: Kevin Rutherford/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Por que a primavera aumenta o risco de ataque

A primavera é o período de enxameação, quando a colônia cresce, se divide e forma novos enxames que saem em busca de um lugar para se instalar. O calor mais intenso e a floração abundante intensificam a movimentação das abelhas atrás de alimento.

Esse deslocamento aumenta o contato com áreas urbanas, já que os enxames em trânsito procuram telhados, forros, muros e árvores para se fixar, o que eleva a chance de encontro com pessoas.

Como fugir de um ataque de enxame, segundo o Corpo de Bombeiros

A orientação do Corpo de Bombeiros é se afastar do local o mais rápido possível, correndo em linha reta até um espaço fechado, como o interior de uma casa ou de um carro com os vidros fechados.

Durante a fuga, é recomendado proteger o rosto e o pescoço com as mãos ou com uma peça de roupa, já que essas áreas costumam receber o maior número de ferroadas.

O que nunca fazer diante de um enxame

O Corpo de Bombeiros orienta não usar fogo, inseticida, fumaça ou álcool contra o enxame, e não tentar matar as abelhas que se aproximarem. Esmagar um inseto libera feromônio de alerta que atrai ainda mais operárias para o ataque.

Entrar na água também não é recomendado: a medida não impede as picadas na área exposta do rosto e ainda traz risco de afogamento, segundo a orientação oficial.

Quando procurar socorro médico?

A orientação é buscar atendimento médico imediatamente em caso de múltiplas picadas, ou diante de qualquer sinal de reação alérgica, como inchaço no rosto ou na garganta, falta de ar, tontura ou alteração da consciência.

O acionamento pode ser feito pelo Corpo de Bombeiros, no 193, ou pelo Samu, no 192, que atende ocorrências de envenenamento por animais peçonhentos 24 horas por dia em todo o país.

A abelha não é vilã: ela sustenta parte da colheita brasileira

Apesar do risco em caso de ataque, a abelha africanizada é uma polinizadora importante para a agricultura brasileira. Segundo a Embrapa, a espécie contribui para a produção de frutas como melão, melancia, manga e goiaba, além de fibras vegetais.

Por isso a orientação de bombeiros e apicultores é isolar a área e acionar uma equipe especializada em remoção de enxame, nunca tentar destruir a colmeia com fogo ou veneno por conta própria.

Comparação entre uma abelha africanizada e uma abelha europeia lado a lado sobre um favo de mel
Abelha africanizada (à esquerda) ao lado de uma abelha europeia sobre o favo, imagem que mostra a semelhança entre as duas. Foto: Scott Bauer/USDA Agricultural Research Service via Wikimedia Commons (domínio público).

Casos seguem sob monitoramento durante a primavera no Brasil

O Ministério da Saúde mantém o acompanhamento dos acidentes pelo Sinan ao longo da estação, período de maior enxameação e de mais contato entre abelhas e pessoas nas cidades brasileiras.

Enquanto isso, a recomendação de bombeiros e pesquisadores segue a mesma: se afastar rápido de qualquer enxame avistado e nunca mexer na colmeia sozinho. Você já cruzou com um enxame de abelha africanizada perto de casa? Conte como foi nos comentários.

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